Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 22/05/2020
A revolução tecnológica do século XX, proporcionou aos indivíduos maior velocidade nas informações e ocasionou a diminuição das barreiras geográficas através da conexão entre pessoas no “mundo virtual”. Entretanto, apesar desses benefícios, as novas tecnologias têm seu lado maléfico principalmente, se os indivíduos não possuírem autoconhecimento, ou seja, não conhecer a si próprio e seus valores. Esse fato pode ocasionar efeitos como a influência ao consumo dos telespectadores e o reforço dos padrões sociais devido a superficialidade das relações no meio digital.
A priori, os sociólogos Adorno e Horkheimer criaram o termo " indústria cultural" para designar a formação da consciência coletiva nas sociedades massificadas pelas novas tecnologias. Isso evidencia como o meio digital pode controlar os indivíduos através de algoritmos, que possibilitam identificar as preferências dos usuários e desse modo influenciar no consumo deles. Desse modo, esse fato se caracteriza como um dos efeitos da ausência do autoconhecimento na era virtual, pois quando as pessoas conhecem a sí e suas necessidades de modo crítico e racional, não se deixam persuadir por tudo que os meios de massa impõe.
Além disso, outro impacto decorrente da falta de autoaceitação é o reforço do esteriótipo de padrões existentes na sociedade, visto que especialmente nas redes sociais, o contato entre os indivíduos, segundo a teoria da modernidade líquida de Zygmunt Bauman, é marcada pela superficialidade e fluidez de sentimentos. Dessa maneira, parte da sociedade tem como inspiração o modo de vida de outros indivíduos no meio digital, o que pode ter efeito negativo, visto que nem todos os cidadãos tem as mesmas realidades sociais e financeiros. Logo, quando o indivíduo tem conhecimento de si próprio, ele consegue acompanhar e se adaptar à sua realidade sem se frustar por querer seguir um estilo de vida diferente do seu.
Sendo assim, é importante que a sociedade busque o autoconhecimento e autonomia frente aos algoritmos da rede digital, por meio da busca por maior entendimento do funcionamento desse mecanismo e de como eles influenciam nas escolhas dos usuários, para que os indivíduos reconheçam quando estiver sendo persuadido. Também, é importante que o Estado crie uma regulamentação para os criadores de conteúdos digitais, através de leis que regulem os conteúdos postados e a quantidade de publicidade feita por esses, para que os internautas não sejam diretamente influenciados por um modo de vida irreal que pode causar frustração.