Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 28/05/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), é assegurado a todos o direito à informação e ao bem-estar. Entretanto, infelizmente, na era digital, a ausência do autoconhecimento tolhe a dignidade individual em consequência da evolução tecnológica. Com base nesse viés, é imprescindível pontuar que esse cenário nefasto é gerado por efeitos da alienação presentes no “bovarismo” social. E, a falta de identidade resulta da construção e solidificação de uma moral de rebanho na contemporaneidade.

Nesse sentido, segundo a psicanalista Maria Rita Kehl, o processo de alienação e o desejo de ser o outro, configurado como bovarismo social, desencadeia a falta de autoconhecimento na era digital. Assim, apesar do alto desenvolvimento do aparato tecnológico no século XXI, os indivíduos, lamentavelmente, sofrem uma involução social pautada na busca incessante de ser igual ao outro por meio dos reflexos que os internautas recebem diariamente nas redes. Desse modo, tal efeito é extremamente negativo para o equilíbrio das dinâmicas interpessoais, pois, a ausência do saber sobre o próprio ser gera uma onda de alienação, distúrbios psiquiátricos, além de causar o tolhimento da DUDH. Com isso, as consequências resultantes da ausência de identidade separam os direitos à informação de qualidade e ao bem-estar do novo processo de rege as sociedades modernas.

Ademais, conforme o filósofo Friedrich Nietzsche, a moral de rebanho é uma das características que marcam os comportamentos humanos na contemporaneidade. Nesse contexto, a sociedade é regida por comportamentos de fagocitose dos costumes e de ideias instituídas em sociedade. Desse modo, a submissão e aceitação de comportamentos maléficos é um efeito negativo da falta de autoconhecimento conjugado ao desenvolvimento constante  de alheamento  crítico da coletividade. Além disso, a ausência de identidade marca um desequilíbrio dos direitos garantidos pela DUDH por intermédio da desenvoltura alienante que é constituída o processamento de fatos remetentes ao raciocínio lógico de crescimento pessoal.

Nota-se, então, a necessidade de combater os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital. Com base nisso, é preciso que as instituições de ensino juntamente com a sociedade civil, agentes socializadores, deem início à projetos de ações sociais que tenham como propósito o diálogo e a formação da capacidade crítica humana. Assim, o “bovarismo” social junto a moral de rebanho se dissolverão, a criticidade tomará espaço para que haja o autoconhecimento individual na era digital, fazendo com que os indivíduos sejam dignificados com igual acesso à informação de qualidade e ao bem-estar.