Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 28/05/2020
“Conhece-te a ti mesmo”, perpetuada no Templo de Apolo, na Grécia, essa é uma das máximas mais famosas de toda história ocidental, ela atenta ao saber comum que o autoconhecimento deve ser indissociável à razão humana. Porém, a autognose é um processo contínuo e pouco praticado pela cultura do ocidente, a qual com o passar dos anos torna a população mais deprimida e ansiosa. Desse modo, muito se é discutido sobre os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital, tendo como dois principais impactos: a vulnerabilidade do usuário e o desenvolvimento de problemas psicológicos.
A priori, no livro “21 lições para o século 21”, o historiador Yuval N. Harari alerta aos leitores sobre os pontos negativos da internet, ele baseia-se na apropriação de dados pessoas dos indivíduos pelos governos e pelas empresas e como essas instituições conhecem os cadastrados melhores do que os próprios. Nessa lógica, isso torna-se de fato um problema, visto que ferramentas cibernéticas como algoritmos são usados para recomendar aos usuários aquilo que matematicamente for conveniente, o que acaba por influenciar o comportamento “on-line” do navegante. Dessa forma, um dos efeitos da falta de autoconhecimento na era digital é a vulnerabilidade individual gerada por tudo que fora citado.
Outrossim, de acordo com o livro “O poder do hábito”, de Charles Duhigg, a inércia mental e os hábitos influenciam - quase sempre de forma não positiva - nos resultados de algum plano de vida; com isso, torna-se crucial que os indivíduos pratiquem o autoconhecimento como medida inicial para compreenderem o porquê fazem o que fazem e são frustados por isso. Desse modo, entra em discussão a forma como os meios digitais potencializam tanto a inércia mental como a frustração diante
daquilo que é acessado, visto que é comum, infelizmente, o desenvolvimento de problemas psicológicos na população, a ter como causas a insuficiência da autognose e a internet como estopim. Como ocorre? As pessoas são afetadas por padrões (estéticos, por exemplo), o que gera nos indivíduos uma necessidade de estar e ser aquilo frustando-se muitas vezes por não conseguir, ou conseguindo e frustando-se ao perceber que nada daquilo importa para si.
Em suma, para lidar com os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital, as escolas e as universidades precisam propor mecanismos para informar a população sobre como a internet funciona, por meio de palestras e programas inclusivos com as comunidades, alertando-os sobre a impersonalidade criada virtualmente, a fim de tornar a população menos vulnerável às indústrias de dados. Além disso, o Ministério da Saúde deve criar programas especiais de atendimentos psicológicos aos cidadãos, por meio de inclusão dos profissionais às escolas e aos Postos de Saúde da Família (PSF), para que assim a população seja auxiliada a viver o aforismo de conhecer a si mesmo.