Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 28/05/2020

No filme adolescente “Sierra Burgess é uma perdedora”, da Netflix, a protagonista se envolve em uma rede de mentiras e insegurança por tentar se passar por outra pessoa, pois tinha medo de não ser aprovada por quem ela de fato era, apenas pra conseguir atenção de um garoto. Em paralelo, na vida real, a era digital, juntamente com o crescente número de redes sociais se tornou um gatilho para milhares de pessoas em busca de aprovação de seguidores conhecidos e desconhecidos, esta atitude somada a falta de autoconhecimento tem desencadeado além da constante busca por validação o aumento de  distúrbios mentais como a distorção de imagem e a depressão.

Em primeira instância, é válido ressaltar que a era digital, também chamada de era da informação, é um período da história que se iniciou após a era industrial, mas foi impulsionada verdadeiramente no século XX, com a invenção da televisão, da rede de computadores e outros. Ao longo da história padrões estéticos e comportamentais reproduzidos nas mídias digitais foram virando moldes para as gerações, e considerados como o alvo a ser atingido. A existência de tais padrões, principalmente na atualidade, com a forte presença de redes sociais, tornou-se um gatilho para uma busca incessante de validação de terceiros, os chamados seguidores.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nos últimos dez anos houve um aumento de 140% no número de cirurgias estéticas realizadas em jovens. Outra publicação, esta da Academia Americana de Cirurgia Plástica, ressalta que as famosas “selfies” tiradas para as redes sociais, podem gerar uma distorção da autoimagem, levando pessoas cada vez em idades menores a buscarem a realização de intervenções cirúrgicas apenas com o intuito de parecerem melhores nas fotos postadas. Tal busca por aprovação somada a falta de autoconhecimento tem gerado números crescentes de pessoas insatisfeitas consigo mesmas e que desenvolvem depressão e outros distúrbios por viverem em constante comparação com outras pessoas.

Diante do exposto, se faz necessário que as famílias iniciem com as crianças desde pequenas um trabalho de autoconhecimento e esclarecimento sobre os padrões impostos pela sociedade, através de conversas e quebra de conceitos amplamente estabelecidos, para que estas cresçam com total consciência sobre o filtro que precisam ter para as informações e cientes de que não necessitam de aprovação por parte de ninguém. Somada a esta ação, é necessário que agências publicitárias e grandes mídias veiculem cada vez mais sobre a importância da autoaceitação e do autoconhecimento, enfatizando através de comerciais e anúncios que cada pessoa pode parecer e viver de um jeito, para que isso gere uma consciência geral de que a comparação não é necessária e todos somos diferentes.