Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 29/05/2020
O filme “Comer, rezar, amar”, estrelado por Julia Roberts, conta a história de Liz, que ao se perceber infeliz com a própria vida, decide embarcar em uma viagem de autoconhecimento. Tal prática não permanece apenas na ficção, a busca para encontrar a si mesmo sempre esteve presente na história da humanidade, contudo, com o avanço da era digital as pessoas mesclam quem são com quem as mídias querem que sejam e isso resulta em uma falta de conhecimento próprio, causando baixa inteligência emocional e conflitos nos relacionamentos.
Em primeira instância, deve-se entender que um profundo autoconhecimento requer uma base mental firme. Entretanto, com as redes sociais e demais meios de comunicação influenciados pelo padrão ideal de vida , ocorre um declínio na confiança dos indivíduos e, assim, uma queda na inteligência emocional. De acordo com Daniel Goleman, jornalista científico e criador do termo, “capacidade emocional é o ato de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”. Dessa forma, com o controle mental afetado pela era da internet reações diversas podem acontecer, variando entre as pessoas, como , explodir de raiva facilmente, fugir de conflitos ou desafios inevitáveis e não conseguir manter o foco. Tudo isso, inevitavelmente, enfraquece o autoconhecimento e a autoconfiança.
Em segunda instância, a falta de conhecimento também resulta em constante conflitos nos relacionamentos externos. De acordo com Karl Marx, sociólogo alemão, “o homem é por natureza um animal social”, ou seja, dependemos dos relacionamentos para sermos prósperos, saudáveis e felizes. Sendo assim, devido ao uso exacerbado dos meios tecnológicos, ocorre uma falha nas relações interpessoais, então conflitos são mais propensos de acontecerem, tanto em ambientes familiares quanto em áreas de trabalho. Essas contendas prejudicam o ato de conhecer a si próprio e fazem o indivíduo mergulhar ainda mais nas redes sociais, criando assim um ciclo vicioso, no qual a carência permanece e o ser humano nunca está satisfeito.
Em suma, os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital são, principalmente, a baixa inteligência emocional e conflitos nos relacionamentos internos. Dessa forma, é dever do Ministério da Saúde intervir nos problemas e dependências emocionais que os meios digitais causam, por meio de tratamentos de psicoterapia, objetivando o desapego aos celulares e interação das pessoas com si próprias, assim seria construído uma base emocional firme. Ademais, a Secretária da Cultura deve promover atos interpessoais, por meios de oficinas públicas de arte e dinâmicas que trabalhem o convívio populacional, objetivando o fim de conflitos e criação de laços, assim a sociabilidade continua.