Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 25/05/2020
Publicada no século XIX, a obra Quincas Borba - escrita por Machado de Assis - denuncia uma sociedade que vive de aparências dentro de uma época em que as tecnologias não eram tão desenvolvidas. Apesar do lapso temporal, vivencia-se, em pleno século XXI - onde a informação norteia as relações sociais e os comportamentos individuais - uma era digital na qual a essência ainda é deixada em segundo plano. Dessa forma, faz-se necessária uma análise da importância do autoconhecimento dentro de um mundo altamente influenciado pelas grandes inovações tecnológicas, bem como os efeitos da falta desse conhecimento na vida das pessoas.
É fundamental, em primeira análise, entender que o autoconhecimento possibilita canalizar as energias e o foco no que realmente é importante e necessário. Isso é significante dentro um período completamente dotado de tecnologias, visto que o potencial dominador da indústria cultural no mundo capitalista é um fator que pode influenciar no modo de vida das pessoas e na maneira como elas se enxergam. Para o renomado sociólogo Theodor Adorno, “o homem não passa de um mero instrumento de trabalho e de consumo dentro de uma fase onde a cultura foi completamente mercantilizada”. Ou seja, o indivíduo passa a ser comparado a um simples objeto que é guiado não por suas vontades, mas sim por uma era tecnológica que determina as melhores escolhas e o seu próprio modo de vida, sendo raro o exercício consciente do que ele realmente precisa.
A partir disso, os efeitos da falta de autoconhecimento vão desde as inseguranças nas decisões até as relações interpessoais. Tal fato é fruto do condicionamento social e cultural que impõe ao indivíduo a inércia existencial (tirando as condições de praticar a coragem de olhar para si mesmo e de se comunicar com o mundo ao seu redor). Dessa maneira, sem o exercício da comunicação e do conhecimento, fica difícil ao homem sair dos “jogos” da dualidade e crescer como ser único e responsável pelas próprias escolhas. Prova disso é a pesquisa publicada no site “Valor Econômico” - importante veículo de economia e negócios no Brasil - na qual mostra que o marketing digital, presente nas grandes redes sociais, influencia nas decisões de aproximadamente 80% dos brasileiros.
Portanto, faz-se necessária a atuação do governo municipal, na esfera do Executivo, ampliando instituições que estimulem as pessoas que querem conhecer a si mesmas. Tal medida pode ser efetivada criando projetos avaliativos, como a Fundação Estudar - que oferece testes de autoconhecimento -, destinando uma parte das cargas tributárias pagas pelos cidadãos em investimentos na construção de novas fundações que trabalham a autorreflexão, a fim de tornar os indivíduos mais conscientes e seguros das suas escolhas e estimulando a comunicação entre eles.