Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 28/05/2020

É retratado, de maneira crítica, no filme “Modo avião, o comportamento compulsivo de jovens quanto à dependência da “internet”. Fora do campo fictício, esse vasto tempo dedicado às mídias digitais tem gerado efeitos em relação à falta de autoconhecimento na era digital brasileira. Desse modo, fica evidente que tais consequências baseiam-se na manipulação do comportamento por dados na rede cibernética, bem como fixam-se em um desejo contemporâneo de busca por uma externalização de vida perfeita nos recursos midiáticos de relacionamento.

De antemão, percebe-se que a manipulação do comportamento por dados cibernéticos é um dos efeitos da falta de autoconhecimento na era digital. Nessa lógica, é possível analisar a teoria do filósofo Erwin Golfman, em que é afirmado que instituições totais promovem uma “mortificação do eu” no indivíduo. Sob essa perspectiva, chega-se à conclusão de que a “internet” tornou-se uma ferramenta institucional totalitária, visto que esse recurso se aproveita da fragilidade identitária dos usuários, por meio de algorítimos direcionadores de interesses, de modo a implantar uma massificação. Nesse contexto, fica evidente que a perca de identidade é um fato modelador que agrava, ainda mais, a ação da indústria cultural sobre a vida social.

Além disso, infere-se que a busca pela externalização de uma vida perfeita nas redes sociais é outro efeito da carência de autoconhecimento na era digital. Nesse âmbito, salienta-se a teoria do filósofo Zygmunt Bauman, em que é dito que as práticas de superficialidade são tidas de forma banalizada, na contemporaneidade. Consonante a isso, fica evidente que uma atribuição de sentido à vivência pautada no que se posta nos “feeds” promove a perca de identidade nos usuários desses recursos midiáticos. Isso porque a exposição exacerbada na “internet” desprioriza e mascara o interior verdadeiro, de modo a abraçar uma perfeição inatingível fora das mídias de relacionamento.

Portanto, evidencia-se que os efeitos da carência de autoconhecimento na era digital devem ser atenuados. Logo, cabe ao poder Legislativo regular de forma mais rígida os algorítimos manipuladores, estabelecendo leis que imponham às redes sociais a aplicação de recursos de solicitação de permissão direta ao usuário para a coleta de dados. Também, é dever da mídia findar a cultura da necessidade de externalização perfeccionista, por meio de comerciais televisivos que exponham a importância da aceitação própria. Assim sendo, a massificação e a exposição mascaradora deixarão de ser imbróglios para o viés identitário.