Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 25/05/2020

O filme “Matrix” narra a história do hacker Neo que vive em um futuro distópico,em que os humanos são controlados por uma máquina e o mundo que eles acreditam ser verdadeiro,na realidade,é uma simulação na qual são prisioneiros. Apesar de ser uma ficção,essa obra está relacionada a sociedade atual,em que a falta de autoconhecimento e a exposição excessiva na internet permite que a população seja dominada pelas empresas e pela busca constante de aprovação do outro.

Primeiramente,é importante abordar que o pouco conhecimento próprio facilita a massificação da população. Tal fato está associado à teoria da “moral de rebanho”,do filósofo Nietzsche,o qual afirma que os indivíduos são submissos aos valores dominantes,pois passam a copiar as atitudes e os pensamentos impostos sem contestá-los. Assim como exposto pelo pensador,a sociedade atual transformou-se em uma prisioneira do mercado,visto que,através da exposição excessiva nos meios digitais,esse sistema passou a conhecer melhor seus compradores,tendo acesso a informações pessoais,como seus interesses e o que os satisfazem. Dessa forma,as empresas começaram a criar novas necessidades e a induzir na sociedade uma consciência coletiva que aliena e pacifica seus membros. Tal realidade tornou-se possível devido,principalmente,a negligência da importância do domínio próprio,uma vez que é a partir disso que o sujeito perde sua individualidade e passa a ser um produto das ideias predominantes.

Ademais,é necessário destacar que a dependência pela aprovação do outro tornou-se um dos efeitos marcantes da falta de autoconhecimento na era digital. Essa ideia pode ser explicada de acordo com a teoria da “microfísica do poder”,do filósofo Foucault,o qual afirma que a sociedade representa um mecanismo de controle social que vigia e pune os comportamentos divergentes. Tal monitoramento fez-se maior com a exposição exagerada nas redes sociais. Dessa maneira,temendo a rejeição e as críticas,as pessoas passaram a realizar as atitudes padronizadas e aceitas pelos outros indivíduos,perdendo,assim,suas singularidades.

Logo,é necessário que as escolas busquem desenvolver o pensamento crítico das crianças nos meios virtuais,por meio da criação de uma matéria voltada para orientar e ensinar os alunos como aproveitar da melhor forma os conteúdos desse sistema,para,assim,formar cidadãos que não sejam controlados pelos mecanismos de poder. Ademais,é importante que as mídias sociais busquem combater a massificação,através da realização de projetos que estimulem os indivíduos a valorizarem suas singularidades,como a criação de campanhas que destaquem tais diferenças,utilizando como modelos pessoas fora do padrão imposto,a fim de que as pessoas se libertem da “matrix” vigente.