Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 27/05/2020

Segundo o filósofo Mario Sérgio Cortella, tem-se a mídia como corpo docente em uma civilização. Dentre os diversos canais que ela atua de forma educativa, a via digital é a mais utilizada por viabilizar fácil acesso a informações, entretanto, os internautas precisam ter autoconhecimento suficiente para lidar com tanto conteúdo. Na sociedade, um dos efeitos dessa não autonomia é a vulnerabilidade às imposições capitalistas o que, consequentemente, pode acarretar em problemas de saúde psicológica.

Em primeira análise, para o pensador francês Pierre Bourdieu, o que foi construído para servir de instrumento de democracia não deve ser convertido em ferramenta de manipulação, ou seja, é inaceitável que inovações advindas com as tecnologias sejam utilizadas para controlar uma população. Paralelo a isso, tem-se as diversas tentativas de imposições capitalistas na sociedade, pois os algoritmos se adequam aos diversos perfis e são manuseados de maneira possível a entender o comportamento dos usuários das plataformas digitais, e assim eles conseguem aperfeiçoar seus recursos e estratégias. Dessa forma, os indivíduos que não dominam seus princípios de autoconhecimento têm limitação da sua liberdade e influência, na maioria das vezes, não desejadas.

Em segunda análise, a respeito dos problemas de saúde psicológica relacionados a plataformas digitais, tem-se o não controle do autoconhecimento como porta de entrada para situações perigosas. Tal fato pode ser analisado pela frase conhece-te a ti mesmo, do filósofo grego Sócrates, o qual aconselha que as pessoas devem buscar o melhor entendimento próprio. Ademais, sabe-se que os usuários, em sua maioria, são alvo fácil de manipulação por possuírem fraquezas mentais facilmente manipuladas, de forma invasiva, ao gosto dos mecanismos de poder. Além disso, por ter o rótulo de correto a ser seguido, o que é transmitido pelas vias tecnológicas podem acarretar em situações delicadas. Deve-se isso pelo fato dos consumidores terem um posicionamento já formado e, ao acaso, se depararem com pessoas com ideologias diferentes que tentam influenciar de maneira impositiva.

Portanto, sobre os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital, cabe ao Estado combater a exposição de dados pessoais dos usuários, por intermédio da inclusão de avisos específicos, nos variados programas, que alertem o risco de arquivos e informações pessoais expostos. Logo, os consumidores terão dimensão do problema que os cercam e deverão buscar meios alternativos que preservem sua proteção. Outrossim, é importante que os centros educacionais incentivem, desde cedo, crianças a buscarem ajuda profissional, por meio de reuniões que incentivem trabalhos psíquicos até para os próprios responsáveis. Feitas as ações dessa forma, para que os indivíduos explorem a própria mente e tenham um maior controle de si, das suas escolhas e emoções, como sugere Sócrates.