Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 25/05/2020

No filme “Ingrid Goes West”, ao encontrar o perfil de uma influenciadora em redes sociais, uma garota passa a incorporar todos os hábitos dessa celebridade virtual, e até mesmo a copiar sua aparência. Para além da ficção, sabe-se que o aumento do acesso à plataformas de comunicação  possibilitou uma disseminação exacerbada de imagens publicitárias referentes à pessoas físicas ou marcas. Dessa forma, é preciso analisar as consequências da falta de autoconhecimento em meio à exibição digital, marcada pela vulnerabilidade resultante na compra de conteúdos ou itens relativos à figuras públicas, assim como por distúrbios de imagem decorrentes dessa exposição.

Ao passo que máquinas e algoritmos determinam mais precisamente as necessidades individuais, a exemplo da inserção de produtos que se assemelhem a personalidade digital do utilizador, a busca por conhecimento interior tornou-se bastante impopular. Com isso, observa-se uma padronização de comportamentos de indivíduos influenciada por famosos e grandes companhias em várias esferas, como vestimenta, alimentação, entre outras. Dessa forma, em contraponto ao filósofo grego Sócrates, que afirma que o melhor caminho para a autorrealização é “Conhecer-se a si mesmo”, percebe-se esse processo sendo cada vez menos visto na sociedade atual.

A partir desse contexto, constituiu-se uma cultura de sucesso ligada ao crescimento de visibilidade nos meios cibernéticos, criando um clima competitivo e enriquecido de elementos incoerentes com a realidade. Isso colaborou com o desenvolvimento de complexos de deturpação da autoimagem de crianças, e principalmente adolescentes e adultos. Nesse sentido, segundo um estudo elaborado pelo instituto de internet “Pew Research Center”, 71% dos pais que participaram de uma pesquisa dizem que as comunidades on-line não fizeram bem a seus filhos, levando-os a agir de maneira diferente do comum.

Assim, é evidente a repercussão dos problemas gerados pela ausência da conectividade interior atrelada ao uso excessivo de mídias digitais. Cabe então, ao Ministério da Ciência e Tecnologia a elaboração de sites por cientistas da computação que exponham dados referentes à manipulação existente nas mídias sociais, e que ofereçam programas de apoio para contato direto com profissionais de saúde mental especializados em tecnologia. Dessa maneira, será possível a navegação saudável, e não será necessária a incorporação das características alheias.