Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 29/05/2020
É incontrovertível que a internet é uma ferramenta amplamente utilizada facilitando o acesso a tecnologias e informações mundiais em tempo real. No entanto, assim como em muitas espécies animais, algumas pessoas necessitam pertencer a um grupo para não se sentirem vulneráveis, uma vez que a falta de autoconhecimento associado aos bombardeios do mundo digital podem provocar efeitos como a comparação do indivíduo aos demais e ainda o fluxo em massa a uma dita moda.
Primeiramente, é válido ressaltar que as postagens realizadas em redes sociais geralmente mostram momentos muito bons da vida das pessoas, não correspondendo as suas experiências como um todo. Ademais, podemos analisar a definição do filósofo Bauman ao que chama de modernidade líquida, que afirma gerar no indivíduo o vazio afetivo, de pensamento e o consumismo de ideias. Desse modo, ao comparar o seu dia-a-dia com o mostrado nas telas, o indivíduo tende a sentir-se insatisfeito e passa a desejar algo utópico.
Paralelo a isso, também podemos destacar a o efeito manada, onde um fluxo massivo tende a repetir características de pessoas consideradas influentes, na expectativa de que com isso se obtenha os melhores resultados possíveis em um mar de escolhas. Nesse sentido, o indivíduo passa a fazer, comprar ou comportar-se de certo modo não por vontade própria, mas simplesmente porque todos assim o fazem. Perdendo então, as sua personalidades, raízes e características, corroborando com as ideias deterministas da obra “O cortiço” de Aluísio de azevedo, o qual afirma que o ambiente molda o homem.
Portanto, para minimizar os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital aconselha-se que as redes sociais alertem os seus usuários a não basearem suas vidas no que é visto em “timelines”. Para tal, deve-se realizar campanhas audiovisuais mostradas em suas páginas iniciais, fazendo com que as pessoas naveguem sentindo-se livres de comparações. Somado a isso, é recomendável que haja o incentivo a valorização das diferenças por meio de campanhas televisivas, através de novelas, e em escolas por dinâmicas de grupo onde cada um atuaria em diferentes tarefas por um propósito maior. Assim, adultos e crianças entenderiam que quanto mais diversificado o grupo maior a possibilidade de exito . Dese modo, apesar das necessidades “animalescas” de pertencimento, seria entendível que um grupo não precisa ser igual e que as diferenças, na verdade, fazem com que as pessoas se complementem.