Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 28/05/2020

Segundo Freud em seu livro “Psicologia das Massas e Análise do Eu” indivíduos tendem a suprimir o próprio ego e agir de acordo com o meio. Nesse sentido, no que se refere ao autoconhecimento no século XXI, é possível afirmar que esta necessita de uma atenção especial, uma vez que hodiernamente ela foi colocada em segundo plano por grande parte do tecido social brasileiro. Isso se evidencia não só pelo individualismo gerado após o advento da tecnologia, mas também a hipervalorização dos bens materiais.

Em primeira análise, evidenciamos, no mundo tecnológico, o enfraquecimento das relações significativas entre as pessoas. Com isso, devido a falta de consciência sobre si mesmos, os vínculos humanos tem chance de serem rompidos a qualquer momento, causando uma disposição ao isolamento social, que pode gerar problemas como ansiedade e depressão. Tal ideia reflete os pensamentos do filósofo Zygmunt Bauman acerca da modernidade líquida, onde expõe que vivenciamos “um mundo repleto de sinais confusos, propensos a mudar com rapidez e de forma imprevisível”, ou seja, incapazes de manter uma identidade e causando insensibilidade em relação ao outro.

Segundamente, de acordo com o filósofo grego Diógenes de Sínope, para obter autoconhecimento é preciso se isolar do contato social, porque não há como alguém ser quem é se ainda vive aquilo que a sociedade quer que ele aparente. No entanto, a indústria da tecnologia, juntamente com o uso da publicidade, despertam, atualmente, a necessidade do “ter”, seja ele o corpo ideal ou todos os bens materiais mais recentes. Portanto, deixando de lado o “ser”, provocando a falta do autoconhecimento colocada pelo filósofo. Com isso, os indivíduos não procuram verdadeiras fontes de felicidade, o que impossibilita o desenvolvimento da essência pessoal e traz uma realidade onde o consumo se tornou o elemento central na formação da identidade.

Em suma, como medida ampla, o Ministério da Saúde deve incentivar o acompanhamento dos cidadãos por terapeutas e psicólogos, visando uma melhoria das relações sociais e do conhecimento sobre si. Para tanto, se faz necessário mostrar a população os sintomas de um provável adoecimento mental, por meio da veiculação de conteúdos nas grandes mídias, a fim de esclarecer os possíveis danos que aquele pode causar. Além do mais, como ação específica, deve, em consonância com as Secretarias de Saúde, disponibilizar nos postos de atendimento público profissionais da área em tempo integral, de modo a atender todas as parcelas da sociedade. Assim, a saúde psíquica dos indivíduos, em todos os aspectos, teria uma melhora significativa.