Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 29/05/2020
“Conhecer a si próprio é o maior saber”. Essa frase compõe um ramo dos conhecimentos que o físico Galileu Galilei proporcionou à humanidade. Tal pensamento ratifica a relevância do autoconhecimento para o desenvolvimento pleno do indivíduo. Percebe-se, hoje ainda mais, a necessidade de se conhecer, tendo em vista a crescente influência da mídia, típica da era digital, na vida das pessoas. Diante disso, nota-se que a falta de autoconhecimento tem efeitos tanto na formação de indivíduos passivos e acríticos, quanto na massificação de opiniões.
Em primeira análise, cabe ressaltar a falta de autoconhecimento como característica marcante da era digital. Isso porque, embora a escola devesse estimular e potencializar esse autoconhecimento, o que ocorre, de fato, é apenas o depósito de informações no aluno. Nesse sentido, o pedagogo Paulo Freire analisa o sistema educacional brasileiro, caracterizando-o por uma educação bancária, não conscientizadora, que desconsidera a realidade individual de cada um. Sendo assim, o conhecimento próprio é negligenciado e distanciado do aluno que, em meio ao mundo de influências midiáticas, torna-se passivo e acrítico. Tais características, evidentes em indivíduos que se desconhecem, contribuem para perpetuação de um sistema sociopolítico, que desfavorece o autoconhecimento e a construção de opiniões próprias, visando à manutenção dessa passividade social.
Além dos efeitos relacionados à passividade e acriticidade, a falta de autoconhecimento na era digital tem impactos na massificação das opiniões. Em um mundo tecnológico conectado, pessoas são bombardeadas por todo tipo informação o tempo inteiro, as quais se refletem na opinião individual. Nesse contexto, os filósofos Adorno e Horkheimer citam a indústria cultural, na qual a cultura é massificada para venda, perdendo sua profundidade. Assim, os ideais massificados divulgados nos meios de comunicação de massa são absorvidos e reproduzidos no meio social, de modo que opiniões divergentes são suprimidas e excluídas. Desse modo, a falta de autoconhecimento e opinião própria, aliada a essa massificação cultural, contribuem para perpetuação de uma sociedade excludente.
Percebe-se, portanto, a importância do autoconhecimento no combate a um corpo social massificado e alienado. Assim sendo, o Ministério da Educação deve atuar, juntamente com as escolas, na implementação de uma educação conscientizadora que vise, não apenas a formação cognitiva plena do indivíduo, mas sua formação social. Para tal, cabe divulgação de aulas socioeducativas, vinculadas às matérias de humanas, que relacionem a formação histórico-cultural à atualidade, promovendo a conscientização individual e estímulo ao autoconhecimento. Dessa forma, a cultura massificada será substituída por uma que valorize as diferenças de opiniões e aja conforme a máxima de Galileu.