Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 26/05/2020
A necessidade da adoção do ensinamento socrático
Ao dizer “conhece-te a ti mesmo”, o filósofo Sócrates pretendia que a humanidade compreendesse a importância do autoconhecimento para uma vivência saudável. Todavia, isso não ocorre na era digital tanto pelo estímulo à futilidade quanto pela falta de incentivo à autorreflexão.
Esse problema relaciona-se com o culto às frivolidades. Isso se dá pela promoção do estio de vida consumista por empresas e celebridades patrocinadas. Tal propagação é feita em comerciais que associam a compra dos produtos à felicidade, aceitação social e aumento de valor do indivíduo. Exemplos disso são as propagandas de bebidas alcoólicas, que sempre mostram a popularidade, alegria e vida feliz dos personagens. Desse modo, o indivíduo é induzido a ser apenas um consumidor, reduzindo sua existência à dimensão econômica e percebendo a compra do produto como ato de realização pessoal máxima.
Em contrapartida, não há disseminação da busca pelo autoconhecimento. Isso é inadequado sob a perspectiva da psicanálise, criada por Sigmund Freud, que enfatiza a importância do autoexame psicológico a fim de evitar problemas nesse aspecto, pois muitas doenças e transtornos mentais derivam de traumas e questões não resolvidas. A partir disso, é possível compreender o porquê de uma sociedade que exalta o ter em vez do ser apresentar índices recordes de ansiedade e depressão, que é chamada de mal do século. Portanto, a superficialidade propiciada pela falta de autoanálise favorece a ocorrência de desordens psicológicas.
Dado o exposto, é necessário enfrentar o estímulo à futilidade e a falta de promoção do autoconhecimento. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve contratar psicólogos em todo o país para que promovam em escolas, universidades, órgãos públicos e empresas privadas, rodas de conversas sobre como alcançar o autoconhecimento e a diferenciação entre publicidades e a vida de uma pessoa comum, com encaminhamento ao Serviço Único de Saúde (SUS) para aqueles que apresentarem sintomas de problemas psicológicos. Assim, cumpre-se o ideal socrático que possibilita uma existência mentalmente sadia.