Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 24/05/2020

O Brasil, por suas características de crescimento, e apesar da crise do coronavirus, é classificado como um país moderno. Tal conceito pode ser, no entanto, questionado diante dos indicadores sociais como, por exemplo, a demora do Poder Legislativo em regulamentar o uso de sistemas de informação, a fim de evitar danos aos indivíduos menos instruídos. Nesse contexto, torna-se passível de discussão os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital, seja no consumo desenfreado, seja para manipular a opinião pública.

De um lado, percebe-se cada vez mais o uso da internet entre os indivíduos no ato de consumir. Esse fato se torna evidente nas plataformas digitais – como, por exemplo, nos aplicativos de vendas da empresa Amazon, especialista em vendas on line, que possui tecnologia que induz os usuários a consumir de forma exagerada. Esse processo, todavia, é mediado por algoritmos em que as escolhas dos clientes são gravadas, e, em outro momento oportuno do comprador, na plataforma, são oferecidos produtos análogos àqueles selecionados anteriormente. Dessa maneira, infelizmente, essa prática frente às pessoas que não possuem autoconhecimento são induzidas a comprar, o que põe em risco a boa relação entre consumidor e indústria.

Por outro lado, a ausência do autoconhecimento pode ser usado por figura pública, no intuito de manipular a opinião dos eleitores, para obter vantagens políticas. Sob esse viés, é de suma importância citar o papel das empresas de informática, especialistas em desenvolver robôs, que tornam em evidencias as ideias de seus contratantes nas redes como, por exemplo, Instagran, Twitter e Facebook nos movimentos sociais. Sob essa ótica, é comum a disseminação de teses que pregam a violência entre os grupos  políticos de oposição – como esquerda e direita. Dessa forma, predomina-se, outra vez, o efeito negativo da tecnologia para o sucesso dessa prática abusiva de políticos para com pessoas humildes.

Destarte, o Governo, nesse sentido, mediado pelo Poder Legislativo, deve elaborar um projeto de lei que determine em quais circunstâncias seja permitido o uso de algoritmos ou qualquer espécie de tecnologia em plataforma digital que esteja passivo de manipular pessoas. Essa ação deve ser feita por meio de discussão com o Congresso e a sociedade civil organizada, com a participação da imprensa nacional. Para melhorar a eficiência, ademais, é importante que esta lei, determine a suspensão do alvará de funcionamento das empresas que vendem sistemas de “robôs” que ajudam a influenciar a opinião do povo nas redes sociais. Com isso, a sociedade, paulatinamente, fica isenta de práticas oportunistas e com mais liberdade para buscar acesso à educação e superar a passividade do autoconhecimento.