Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 04/06/2020
No livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, é retratada uma sociedade distópica, na qual, devido a falta de autoconhecimento, os indivíduos são massivamente controlados pelos próprios interesses pautados pelo progresso científico e ideologias eugenistas do século XX. Em analogia com a obra literária, observa-se, na contemporaneidade, as consequências que a passividade, perante a construção de valores e ideias, traz ao indivíduo, o qual se torna manipulado na era digital , além de agente propagador de informações falsas.
A manipulação da mídia, em primeira instância, não é um fenômeno recente, todavia, no século XXI, sua intensificação pode ser justificada pela falta de autoconhecimento dos indivíduos, cujas preferências e opiniões são negligenciadas em detrimento aos padrões impostos na era digital. De tal forma, na música “Admirável Chip Novo”, da cantora brasileira Pitty, são apresentadas palavras de ordem, como no refrão " Pense, fale, compre, beba", de forma que retrata a demagogia da mídia no Brasil e logo, o interesse em manipular ou agradar a massa popular, que devido a falta de autonomia, torna-se subordinada e sujeita à assimilação sem filtro de conteúdo.
Em segunda análise, a propagação de notícias falsas no Brasil é intrinsecamente influenciada pela falta de discernimento do indivíduo. Tal fato é explicitado pelo efeito Dunning - Kruger, fenômeno em qual a falta de conhecimento sobre determinado assunto provoca a ausência de entendimento dos próprios limites racionais. Assim, tal efeito, aliado à rápida propagação e acesso às informações, faz com que as pessoas analisem cada vez menos as notícias e dados visualizados na rede e, por consequência, repassem mentiras.
Torna-se necessário, portanto, a remediação na questão da falta de autoconhecimento da sociedade na era digital. Em virtude disso, o Ministério da Educação, juntamente com as instituições de ensino, deverá promover verbas destinadas à palestras e cursos que englobem não só os estudantes, mas também a família, com o intuito de torná-los responsáveis pela construção de sua autonomia e conhecimento em frente às informações disponibilizadas na mídia. Ademais é imprescindível a atuação das agências publicitárias na divulgação do tema com o fito de esclarecerem sobre os perigos inerentes nas redes virtuais. Para isso, o Estado deverá contribuir com verbas, principalmente em locais ausentes de circulação de informações, de maneira que sejam disponibilizados não só os meios, mas sobretudo a instrução acerca do uso das tecnologias para o auxílio nas atividades diárias e melhoria de vida.