Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 28/05/2020

Segundo o filósofo Michel Foucault, o corpo dócil é um instrumento facilmente manipulado a partir da moda, cultura e dinheiro. Esse conceito aplica-se diretamente na atual Modernidade, visto que com o advento da tecnologia, houve uma maior divulgação de padrões de comportamento e um maior controle, tanto estético quanto intrínseco, do indivíduo. Logo, é necessário uma maior contribuição social da família e de psicólogos desde a infância para trabalhar a auto descoberta em cada indivíduo.

Em primeira análise, vale salientar o papel fundamental da família na construção exterior e interior de um indivíduo. Desde o ingresso dos meios de comunicação, como televisão e aparelhos móveis, a difusão de padrões sobre o que ou quem cada indivíduo deve ser, ressignificou os conceitos sobre a vida dos cidadãos. Apesar de existir uma maior padronização comportamental, a influência familiar e sua contribuição para a investigação do interior de cada membro da família, deve ser prioridade na vida dessas pessoas, visto que os quadros com indivíduos que buscam aprovação em todas as áreas de suas vidas, geram depressão e exclusão social – em casos mais graves, até o suicídio. Portanto, o investimento na descoberta da parte mais intrínseca de crianças e adolescentes, deve ser colocado em primeiro plano, visto que são o futuro da sociedade.

Em segunda análise, é necessário avaliar o quão importante é o acompanhamento psicológico desde a infância. Embora seja de grande relevância a presença da família na construção interior de um indivíduo, o apoio de profissionais competentes e capacitados é imprescindível para a formação desses indivíduos, visto que, desde a infância, possuirão um direcionamento em relação à propagandas e comerciais de televisão que demonstram uma realidade perfeita porém inalcançável. Sendo assim, a contribuição dos diversos agentes que fazem parte da esfera social de cada indivíduo, é relevante para seu autoconhecimento, o qual revela uma busca pelos gostos e desgostos, qualidades e defeitos, e todas as informações que o fazem conhecer a si mesmo.

Diante desse contexto, é necessário que haja um paralelismo entre a escola, família e psicólogos. Sendo assim, o Ministério da Educação deve investir no acompanhamento psicológico nas escolas desde a infância, a partir de atividades e jogos descontraídos que contribuam numa maior expressividade dessas crianças e adolescentes. Ademais, a família deve ser inserida nessas atividades como forma de possuir uma participação ativa no desenvolvimento dos filhos como cidadãos e driblar os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital.