Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 26/05/2020
Segundo o filósofo francês Robert Misrahi, a felicidade está associada à reflexão, satisfação e autonomia de escolha. Para ele, um indivíduo feliz é aquele que, por meio da reflexão, se conhece e, a partir disso, planeja, viabiliza e concretiza os seus sonhos. No entanto, nas sociedades contemporâneas tipicamente padronizadas e massificadas, a falta de autoconhecimento é aproveitada por governos e grandes empresas, as quais estimulam o consumismo.
O uso de dados (movimentação geográfica diária, nível cultural e traços da personalidade, por exemplo) de milhões de usuários do Facebook pela empresa Cambridge Analytica para fins eleitorais demonstra, claramente, que algumas parcelas do setor privado não respeitam a liberdade de escolha dos indivíduos. Nesse sentindo, os desejos e preferências dos usuários das mais variadas redes sociais, carentes de ferramentas e meios que promovam o autoconhecimento, são manipulados e artificialmente estimulados por diversas empresas que combinam análise de dados, algoritmos, perfis psicológicos e comunicação estratégia.
Consequentemente, o consumo de bens materiais e imateriais é incentivado a níveis gigantescos, corroborando o consumismo. Sob tal viés, por intermédio da publicidade, grandes empresas levam os indivíduos (que não conhecem bem seus gostos e preferências) a comprarem e se endividarem sempre mais, uma vez que visam maximizar os lucros. Portanto, essas grandes corporações aproveitam-se da falta de autoconhecimento dos indivíduos para venderem cada vez mais.
Dessa forma, a atenuação dos efeitos da falta de autoconhecimento se dará a partir da educação. Sob tal viés, o Ministério da Educação poderia promover palestras e debates, conduzidos por psicólogos e pedagogos, nas escolas de ensino fundamental e médio sobre a importância do autoconhecimento no mundo moderno. Tais eventos aconteceriam uma vez ao mês (em um fim de semana) e seriam abertos à comunidade local, a fim de conscientizar a população sobre o quão nocivo é “não conhecer a si mesmo”.