Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 06/06/2020

No livro “1984”, de George Orwell, há um governo distópico que é capaz de controlar todas as ações da população, o que a torna uma massa homogênea e manipulada por quem está no poder. Analogamente, com a consolidação da globalização, ditada pelas grandes multinacionais, houve uma uniformização dos estilos de vida, os quais são marcados pelos hábitos de acumulação material e pela busca do padrão físico divulgado. Nesse contexto, nota-se que essa imposição de comportamentos afeta o desenvolvimento das diversidades, o que colabora para o aumento de indivíduos que não se encaixam no sistema, mas são coagidos a cumprirem as ordens impostas.

A princípio, deve-se analisar a origem da dispersão do modo de vida consolidado. Sobre isso, estudiosos da Escola de Frankfurt ditaram o conceito de Indústria de Massa, que expõe as poderosas empresas, dirigentes das mídias, como responsáveis pela divulgação de produtos de destaque momentâneo que, segundo elas, trariam felicidade a todos que os adquirissem, mas sabe-se que o objetivo principal é a acumulação de lucros. Essas multinacionais induzem o indivíduo, com propagandas chamativas, a seguirem todas as tendências criadas, de modo que, para ser aceito na sociedade e ter uma boa qualidade de vida, é necessário abdicar de suas vontades e seguir as regras do período.

Nesse contexto, quando a população abandona seus pensamentos individuais, há o aumento do sentimento de anomia. Esse é causado, principalmente, pela busca constante de uma autoaprovação em relação aos modismos vistos nas mídias e, como consequência, a sociedade é mais vulnerável a transtornos psicológicos, como bulimia, anorexia e depressão. Sobre isso, nota-se também que a pressão exagerada sobre os indivíduos que ainda permanecem com suas peculiaridades, por meio de agressões verbais e físicas em ambientes escolares e de trabalho, é responsável pelas taxas crescentes de distúrbios como esses.

Destarte, para destituir o poder manipulador das mídias, é necessário uma ação social mundial, coordenada pelas redes sociais, com a participação de ONGs relacionadas a problemas sociais e personalidades influentes que apoiam a variedade de comportamentos. Ademais, o movimento divulgará projetos que explicitem a importância das diversidades e estimulem o descumprimento em conjunto das regras ditadas, de modo que todos poderão expor as suas próprias características e serão respeitados pela massa envolvida no movimento, o que influenciará positivamente o sentimento de autoaprovação da população.