Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 27/05/2020

O livro “Admirável mundo novo”, do escritor Aldous Huxley, enfatiza uma postura alienada dos personagens perante os desafios existentes na sociedade. Entretanto, fora da ficção, observa-se que essa ignorância também está presente, já que alguns segmentos políticos e sociais não compreendem a gravidade, por exemplo, da falta de autoconhecimento na era digital, o que dificulta a resolução desse entrave.

A princípio, nota-se que os indivíduos que não conhecem a si mesmos estão mais suscetíveis à influências externas. No entanto, esses podem ter suas opiniões e gostos omitidos no meio digital, tendo em vista que as “modinhas” ditam o que a população deve gostar e aderir, logo, aqueles que não as seguem são excluídos. Esse fenômeno é um exemplo da “espiral do silêncio”, teoria formulada pela filósofa Elisabeth Noelle-Neumann, em que o indivíduo, com medo de ser intimidado, se omite.

Outrossim, é notório que, a cobrança causada pela massificação dos gostos “pessoais” precede diversos distúrbios psicológicos. Segundo o filósofo Byung Chul-Han esses padrões que a sociedade espera que sejam cumpridos resultam na “sociedade do cansaço”, em que as pessoas se exaurem ao ponto de adoecerem mentalmente. Sendo assim, o autoconhecimento impediria o indivíduo de perseguir metas que, muitas vezes, ele nem mesmo almeja, só foi coagido a pensar que sim.

Contudo, pontua-se que o autoconhecimento é essencial para o bom funcionamento mental e para que o indivíduo não se omita perante possíveis influências externas. Logo, faz-se essencial que o Estado, em parceria com os cursos de Sociologia e Psicologia das universidades federais, ofereça palestras sobre autoconhecimento nos ambientes escolares, visando criar indivíduos mestres de si mesmos.