Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 06/06/2020
Segundo Sartre, filósofo existencialista, as pessoas existem e depois se definem como ser humano. Entretanto, atualmente, percebe-se que os indivíduos não têm uma formação intelectual plena, porque o autoconhecimento está ausente. Por conseguinte, tal situação resulta em uma busca incessante para alcançar os padrões estabelecidos e em uma manipulação de comportamentos. Destarte, encontrar soluções para esse cenário nefasto é essencial para proteger as individualidades.
É sabido, antes de tudo, que a falta de autoconhecimento gera uma necessidade de alcançar os esteriótipos propagandeados pelas mídias sociais. De acordo com Carlos Heitor Cony, escritor brasileiro, a internet é um ambiente de poluição espiritual. Analogamente à frase do intelectual, pode-se afirmar que as pessoas -com dificuldade de definirem suas essências- são mais propensas a sofrerem com essa sujeira. Pois são expostas a conteúdos midiáticos e irreais, nos quais os padrões de beleza, por exemplo, estão presentes e afetam a sanidade mental de seus usuários. Consequentemente, ao visarem ser semelhantes às pessoas que vendem simulacros nas redes sociais, os internautas vão tentar alcançar essas idealizações, buscando encontrar suas particularidades, por meio da adequação aos arquétipos. Dessa forma, tais cidadãos sofrem tanto com o bombardeamento dessas informações, quanto com a inviabilização do existencialismo pleno.
Ademais, é importante destacar que a ausência de autoconhecimento potencializa a manipulação comportamental. O conceito sociológico de Indústria Cultural explica como a tecnologia consegue moldar os hábitos individuais, o que dificulta que as pessoas tenham consciência sobre o que são ou o que gostam. Nesse sentido, essa padronização somada à era digital resulta em um distanciamento do cidadão com a sua essência, uma vez que são estimulados a abrirem mão de suas particularidades em prol do consumismo, como um marcador de ‘prestígio’ social. Exemplo disso, é a quantidade de indivíduos que compram produtos tecnológicos apenas para se sentirem pertencentes a um grupo.
Torna-se claro, portanto, que a inexistência de autognose possui efeitos maléficos para os cidadãos. A fim de mitigá-los, é fundamental que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em parceria com os Ministérios da Cultura de cada país promova oficinas e debates, semanais, com a presença de psicólogos e psiquiatras, abordando os perigos da falta de autoconhecimento a partir de ensinamentos sobre a construção saudável e legítima de uma autoimagem. Dessa forma, os malefícios serão atenuados e as pessoas conseguirão se afirmar como ser humanos- bem como propôs Sartre.