Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 30/05/2020

O filósofo Sócrates propunha aos seus discípulo que, antes de tentarem conhecer o mundo, era necessário conhecer a si mesmo antes. Em contrapartida a isso, na Era atual, o indivíduo é lançado em um mundo repleto de informações sem antes se autoconhecer ou se autoavaliar.Isso implica diretamente na fácil manipulação e em um desenvolvimento intelectual do indivíduo.

Primeiramente, é preciso destacar que a era digital é caracterizada por uma altíssima exposição em relação à épocas anteriores e o perigo em si não reside em tal fato, mas na falta de conhecimento sobre si próprio característica do usuário que se expõe. Pois, sem antes avaliar suas reais necessidades, seus  gostos, sua maneira de pensar e suas fraquezas, o indivíduo disponibiliza informações de cunho pessoal ao público que vai de pessoas comuns à empresas, governos e organizações com alto poder propagandístico que podem usá-las para os mais diversos fins. A exemplo do que foi retratado no romance 1984, do escritor George Orwell, os fins nem sempre serão positivo, no caso do livro, um governo de cunho extremamente autoritário usava das informações dos cidadãos que viviam sob o seu poder para controlá-los. Assim, a informação publicada em rede poderá ser usada para fins que muitas vezes prejudiquem o usuário, induzindo-o ao consumismo desenfreado, por parte de empresas, ou a sua manipulação, por parte de governos.

Ademais um indivíduo ignorante sobre si próprio será facilmente tragado pela indústria cultural, tendo em vista que não conhece seus verdadeiros gostos e suas reais necessidades. A Escola de Frankfurt define tal indústria como produtora de conteúdo supérfluo que pouco agrega intelectualmente àqueles que a consomem.  Consequentemente, os que são por ela incorporados pouco desenvolvem sua capacidade de reflexão crítica, ficando imerso em uma cultura que pouco tem a lhe oferecer.

Assim sendo, é de vital importância induzir as pessoas a se autoconhecerem e se autoavaliarem. Isso poderia ser feito pela família, por meio de conversas ao longo do crescimento do indivíduo, abordando nelas a maneira que o indivíduo se entende, os seus gostos, as suas limitações, para que assim terceiros não tirem vantagem dela. Nas escolas, o Ministério da Educação poderia incluir nos projetos pedagógicos, a discussão e a exposição dos riscos da disponibilização de informações pessoais para que mais pessoas evitassem se expor, dificultando o recolhimento de dados. Assim, os usuários poderão usar as redes de maneira consciente e saudável.