Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 30/05/2020
O século XX revolucionou o mundo com suas novas tecnologias advindas da Revolução Industrial. Nesse contexto, houve o surgimento das empresas culturais responsáveis pelas produções das mídias que geravam entretenimento. Contudo, observou-se que com o crescimento da demanda deste conteúdo, os indivíduos passavam a ser alvos das campanhas influenciadoras. No Brasil, a propaganda Varguista aliciou milhares de brasileiros que influenciou diretamente no golpe de 1930 e, posteriormente, a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda no ano de 1939, que ocasionou a vitória de Vargas nas eleições de 1950. Atualmente, com as interações cada vez mais digitais, a falta do autoconhecimento acarreta um meio de controle individual, pois tanto influencia no modo de vida quanto no bem-estar social.
Em primeiro lugar, é válido salientar a industria cultural como principal meio influenciador do controle social. Nesse sentido, as produtoras de mídias propõem que a cultura popular é semelhante a uma fábrica que produz bens culturais padronizados como, filmes, propagandas de rádio, televisão, revistas etc, que ajudam a influenciar a passiva sociedade de massa. Segundo este, o consumo e os prazeres exacerbados, disponibilizados pelos meios de comunicação, tornam as pessoas dóceis por influência, o que altera os costumes individuais. Ou seja, a falta do autoconhecimento fomenta o manejo dos veículos de difusão de informação.
Em segundo lugar, o constante bombardeamento de conteúdo desenvolve a vulnerabilidade do senso crítico. Segundo o filósofo Platão, em sua obra “O mito da Caverna”, os indivíduos são manipulados por elementos de dominação, ao passo que, sem a razão, o homem continuaria vivendo na obscuridade. A cerca disso, as empresas e o governo exploram através das interações sociais, como redes sociais e internet, informações pessoais utilizados como objetos de domínio. Logo, a interferência de dados pode acarretar na influência direta do sujeito.
Portanto, pode-se perceber que a falta do autoconhecimento gera um motivo de controle individual, influenciando ativamente no modo de vida e no bem-estar sociocultural. Logo, medidas são necessárias para resolver o impasse como, fiscalização em conjunto das redes midiáticas através da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), por meio de denúncias e limitando a venda de dados pessoais sem o consentimento do telespectador. Ademais, criar campanhas e oficinas com o viés educacional para prevenir os roubos de dados aos particulares. Somente através disso, gerará a capacitação individual para adquirir o autoconhecimento, o que faz com que aprimore o senso crítico e politizado da sociedade contemporânea.