Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 06/06/2020

O autoconhecimento foi um tema muito discutido entre os filósofos do período clássico da Grécia Antiga, e entre eles, destaca-se Sócrates, com a icônica frase: “Conhece-te a ti mesmo”, em outras palavras, ele quer dizer que quando o indivíduo faz uma autoavaliação, ele tem a capacidade de mudar as relações consigo mesmo e com o mundo que o cerca. Sem dúvida, esse ensinamento perpassa o período clássico e chega na atualidade, pois com o advento da tecnologia, as relações sociais estão diretamente associadas a ela, logo, sem o autoconhecimento, há uma vulnerabilidade a gatilhos emocionais proporcionados pela rede.

Primeiramente, de acordo com a psicóloga Petra, “as pessoas, quando estão conectadas às redes sociais, geralmente estão “sozinhas” fechadas em sua própria imagem e na imagem dos outros. Ou seja, muitas vezes não há um relacionamento, são só imagens”, em virtude disso, a falta de conhecimento sobre si, gera uma necessidade de aprovação dos outros para que o indivíduo se sinta feliz consigo mesmo, de modo que almeje cada vez mais curtidas, e quando isso não acontece, há um estresse e uma crescente ansiedade por parte deste usuário.

Por fim, o cyberbullying também afeta o indivíduo que não se conhece, segundo a psicóloga Gabriella Meiglin, “o adolescente pode internalizar todos os ataques e, ao comparar sua realidade à vida alheia, passa a achar mesmo que é uma pessoa fracassada”, por conseguinte, a taxa de doenças psicológicas se agravam e crescem exponencialmente.

Levando-se em consideração esses aspectos, é imprescindível que haja uma estimulação ao autoconhecimento, pois como diz Galileu Galilei,   “conhecer a si próprio é o maior saber”. Para que isso seja incentivado, as escolas, tanto de esfera pública, quanto de esfera privada, devem fazer palestras e atividades extracurriculares que procurem encorajar os alunos a pensarem sobre si mesmos, já que é esta a geração que nasceu imersa no mundo digital. Dessa forma, o nível de doenças emocionais causadas pela rede pode ser diminuída daqui a alguns anos graças a esses estímulos.