Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 03/09/2020

No filme Matrix, o protagonista, Neo, descobre que sua vida não passava de uma projeção controlada por um sistema. Após a descoberta, ele decide sair em busca de um meio para vencer essa manipulação. Durante sua procura ele encontra no oráculo a frase “temet nosce” (variação em latim da frase do templo de Apolo “conhece-te a ti mesmo”), esta mensagem trouxe a ele a opção de controlar sua vida obtendo o conhecimento de si mesmo, ou ser controlado ignorando seu eu. Análogo a situação apresentada no filme, os usuários da internet na era digital, não tendo o conhecimento de si mesmos podem se tornar protagonistas de uma vida sem autenticidade controlada por sugestões projetadas em uma tela.

Hoje em dia, cookies, armazenam nossas informações e arquivos enquanto navegamos pela internet. Esses, traçam um perfil de cada usuário nos sites que eles visitam. Assim, um universo cultural e complacente com o gosto do consumidor é construído. Porém, essa facilidade pode estar gerando,  o que segundo o jornalista, Daniel Verdú, do jornal El Paris disse, “uma ilusão de liberdade de escolha que muitas vezes é gerada por algorítimos”. Consoante a este pensamento, o Dr. Tom Chatfield, escritor e filósofo da tecnologia, disse: “ Quanto mais os sistemas souberem sobre você em comparação ao que você sabe sobre eles, há mais riscos de suas escolhas se tornarem apenas uma série de reações a ‘cutucadas’ invisíveis.

Diante de tais pensamentos podemos nos perguntar se estamos tomando as decisões ou estamos reproduzindo o que vemos. Ademais, é importante ressaltar que o percentual de pessoas com baixa autoestima, dificuldade nas relações interpessoais tem apresentado um crescimento significativo nos últimos anos. “As pessoas estão comparando suas aparências às das pessoas nas imagens do Instagram, ou em qualquer plataforma em que elas estejam, e muitas vezes acabam se julgando inferiores”, diz Jasmine Fardouly, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade Macquarie em Sydney, Austrália. levando muitos a querer copiar o que vê na tela, deixando de lado seu próprio gosto.

Assim, vê-se a necessidade de conhecer como os sistemas funcionam, não apenas os que estão diante dos nossos olhos, mas também a máquina que opera atrás deles, a fim de passarmos a viver de forma autêntica. Para isso a secretaria de educação em parceria com as escolas, implantaria a disciplina “conhecer e navegar”, nas escolas de ensino fundamental e médio. Essa, ocuparia apenas um horário por semana de cada turma, onde os alunos aprenderiam sobre si e como sua mente funciona com uma psicóloga e com um técnico em informática aprenderiam como navegar de forma consciente. Assim uniriam o conhecer de si com o conhecer do novo que já chegou.