Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 02/06/2020
“O importante é ter sem que o ter te tenha”. Essa frase do humorista carioca Millor Fernandes torna-se muito pertinente quando se trata da falta do autoconhecimento na era digital, uma vez que, não só a manipulação por parte da industria, que tem como objetivo de gerar o consumo exacerbado , mas também os problemas psicológicos, ocasionados pela busca incessante por preenchimento em redes sociais, se apresentam como agentes intensificadores desse problema no Brasil. Por isso, medidas são necessárias para reverter este quadro.
Em primeira análise, é fundamental destacar que o controle de dados já é uma realidade no mundo, isso significa que as empresas podem moldar as propagandas de acordo com os gostos dos clientes.Além disso, segundo uma pesquisa realizada pela revista “Superinteressante”, cerca de 75% dos usuários do sites de compra consideram que as propagandas personalizadas aumentam as chances de adquirir um produto desnecessário, por isso é importante saber discernir entre o que é útil e o que é inútil. Entretanto, o que se encontra no Brasil, é uma profunda negligência do Governo em relação a este tema, uma vez que, segundo a BBC, nenhum tipo de programa de proteção para o consumidor, como leis e decretos, está em vigor. Dessa forma, é indispensável que haja meios políticos, para que a sociedade possa estar protegida de qualquer tipo de manipulação comercial.
Ademais, é importante ressaltar que, para o médico psiquiatra Augusto Cury, as curtidas e os elogios em redes sociais, como o facebook e o Instagram, liberam no usuário um hormônio conhecido como serotonina, que pode se tornar altamente viciante para usuários que utilizam essas redes sem conhecer os seus limites do que pode ser considerado saudável. Além disso, para o escritor Fabrício Carpinejar, “a falta de autoconhecimento é como uma virose assintomática, imperceptível, e a vacina é o debate”, o que revela a importância do debate nesse cenário. Ainda, de acordo com a CNN,62% dos usuários têm nenhum tipo de restrição quanto ao tempo de uso dessas redes, o que pode gerar o vicio ,posteriormente. Dessa maneira, é importante promover a discussão sobre este tema.
Dessarte, entende-se que é primordial que o Governo brasileiro crie meios políticos para a proteção do consumidor, por meio da elaboração de uma lei que tenha como objetivo assegurar que as empresas não poderão utilizar nenhum tipo de dado com a intenção de personalizar as propagandas. De maneira análoga, urge que a Escola, em parceria com a mídia, promovam o debate acerca dos malefícios do uso indiscriminado das tecnologias digitais e da importância do autoconhecimento, por meio de rodas de conversas e palestras com professores e psicólogos em locais públicos, para que as pessoas entendem que"o importante é ter sem que o ter te tenha".