Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 02/06/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira garante a todos o direito à liberdade de pensamento e ao bem-estar social. No entanto, a manipulação comportamental exercida pelos agentes políticos e econômicos, valendo-se da falta de autoconhecimento dos cidadãos na era digital, impede que grande parcela da população desfrute dos direitos previstos na Carta Magna. Logo, convém analisar os elementos causadores e as consequências desse problema.

Deve-se pontuar, de início, que a homogeneização cultural, principalmente das crianças e adolescentes, frente às imposições do consumismo contemporâneo, derivam da escassa atuação do governo para com a fiscalização da grande mídia. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à inércia estatal, novelas e propagandas vem manipulando cada vez mais os jovens, impondo-lhes padrões comportamentais e de consumo, debilitando a construção da vontade e personalidade  próprias nesses indivíduos em formação.

Ademais, faz-se mister ressaltar a ausência de orientação educacional para com a importância do autoconhecimento, como um promotor do problema. Consoante o filósofo Immanuel Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele.” Tal afirmação evidencia que uma formação escolar exclusivamente técnica, privada de elementos humanísticos e filosóficos, impede que o cidadão conheça a si mesmo e desenvolva um senso crítico acerca do que lhe é apresentado. Com isso, sujeita-se a própria democracia nacional ao fracasso, porquanto a expressão da vontade do povo não mais corresponde às suas reais necessidades.

Dessarte, a fim de mitigar as barreiras que impedem a formação de um autoconhecimento individual na era digital, necessita-se que o Ministério da Educação promova, por meio de modificações na estrutura curricular do ensino básico, a ampliação da carga horária de disciplinas voltadas ao desenvolvimento da personalidade e poder de reflexão, como filosofia e sociologia. Somente assim, será possível construir uma sociedade mais crítica e consciente de suas escolhas.