Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 03/06/2020
A Terceira Revolução Industrial, que ocorreu em meados do século XX, proporcionou que a sociedade transitasse da era industrial para era digital, uma conjuntura que introduziu grandes impactos na vida do ser humano. No entanto, observa-se os perigos da falta de autoconhecimento nessa atual era, os quais desencadeiam a uniformização do corpo social, como também revelam as falhas dos formadores de opinião.
Em primeiro lugar, o filósofo Martin Heidegger alertou, na década de 50, sobre os perigos da maré tecnológica. Posto que, segundo o autor, esse quadro poderia “cativar, enfeitiçar, deslumbrar e divertir ao homem de tal forma que o pensamento computacional seria capaz de se tornar a única forma de pensar". Dessa forma, ao analisar a uniformização do comportamento social, nota-se a materialização desse posicionamento. Uma vez que percebe-se que o indivíduo hodierno adotou o estilo de vida segundo o viés do mundo digital, o qual faz com que esse se comporte como um réplica sem autonomia de suas escolhas. Como se observa, nas necessidades que ambiente virtual dito e a sociedade reproduz, a exemplo da exposição as redes sociais. Diante, compreende-se os efeitos da falta de autoconhecimento no tecido social.
Ademais, por detrás desse cenário, nota-se a falha dos formadores de opinião, principalmente da instituição escolar. Posto que, segundo o pedagogo Paulo Freire, a educação tem o potencial de transformar o indivíduo e esse, assim, torna-se, apto para mudar a sociedade. Á luz disso, quando se analisa um corpo social que desconhece a si mesmo denota, dessa forma, uma escola que não exerce a sua função social. Isso é fruto de um ensino tecnicista, que preconiza o mercado de trabalho e negligencia a construção do olhar crítico do cidadão em relação as suas ações. Dessarte, um quadro que permite a manipulação na era digital.
Portanto, é imprescindível que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação realizar um programa nacional sobre a necessidade da sociedade se autoconhecer a fim de não subjugar cegamente ao ambiente digital. Esse projeto ocorrerá mediante palestras e aulas de sociologia que demonstrarão obras literárias que apontavam para o perigo do mundo virtual sobre indivíduos que desconhecem a si mesmo. Dessa forma, uma escola que exerça a sua função social além de evitar a uniformização do corpo social, permitir-se-á também que o homem desfrute da atual era de forma mais crítica.