Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 22/06/2020
Segundo Paulo Freire, um filósofo brasileiro, conhecer é trabalho de sujeitos, não de objetos. Contudo, com o progresso da cultura das redes sociais, estimulada pela revolução tecnológica, a difusão da internet é cada vez maior na população brasileira, o que facilita a criação de um cenário digital manipulador baseado no consumo de tendências do campo capitalista. Diante disso, é indispensável discutir sobre os impactos dos padrões de consumo em tempo real pela mídia na sociedade e a passividade do cidadão diante a ditadura das modas.
Em primeiro plano, é possível afirmar que o simples acesso diário às redes sociais pode parecer inofensivo, no entanto, seus efeitos a longo prazo podem trazer prejuízo para o cidadão, como a dependência de aprovação constante de olhares alheios nas redes digitais. Segundo os pensadores da Antiga Grécia, o homem tem capacidade de aprender por imitação, porém, com advento da internet, padrões de vestimenta e personalidade preestabelecidos pela mídia tornaram-se sinônimos de normalidade e, tudo fora desse padrão, é considerado “defeituoso”. Isso, destrói a possibilidade da relevância da individualidade ser relevante na vida do indivíduo, o que cria zona favorável para futuras gerações vazias e superficiais, pessoas imitadoras e sem autoconhecimento de seus anseios.
Além disso, a moda e mídia criaram diversos seguidores, os quais muitas vezes, sentem-se infelizes se não estiverem usando o material estipulado como tendência. Por vaidade do homem, isso acaba criando campo propício a pessoas que compram produtos por puro consumismo, sem a necessidade diária daquilo adquirido, o que causará faturas maiores do que o próprio pagamento mensal recebido pelo cidadão. Assim como na Alegoria da Caverna, onde o homem decidiu descobrir o que havia além dos muros e sombras e viu um mundo vasto de conhecimento, o cidadão necessita da racionalidade para lidar com os impulsos e protótipos sociais impostos para diminuir a possibilidade do desenvolvimento de transtornos mentais na sociedade hodierna e o aumento de de um corpo social singular para com seus gostos.
A fim de contornar tais impasses, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) deve executar políticas, as quais estipulem às empresas fornecedoras de produtos a dar maior destaque a propagandas que estimulem o “conhecer-se”, por meio de páginas próprias de criação de conteúdo dos produtos oferecidos para com o consumidor. Além disso, a sociedade precisa conscientizar-se da leitura e da avaliação de sua própria personalidade, por via de livros educacionais, descobrir-se e buscar seus verdadeiros desejos. Essas atitudes não só contribuirão para um consumo mais “saudável” como também para futuras gerações mais sólidas e decididas para com seus objetivos e gostos pessoais.