Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 11/06/2020

O autoconhecimento é o entendimento do indivíduo sobre si mesmo, que advém a partir do contato com as motivações e dissidências inconscientes. É inegável que, com o avanço da cultura das redes sociais fomentada pela revolução tecnológica, ter conhecimento de si torna-se cada vez mais indispensável. Entretanto, a banalização das relações humanas construídas ao longo da consolidação do mundo moderno tem atuado como um dinamizador do decréscimo do autoconhecimento. Haja vista a carência de autognose por parte dos indivíduos, não são afetados apenas a inteligência emocional e interpessoal, mas também a estabilidade psicológica.

Em primeira análise, destaca-se a baixa inteligência emocional e interpessoal dos indivíduos, posto a perda do autoconhecimento. De acordo com o psicólogo e jornalista Goleman, a inteligência emocional é a capacidade de identificar os sentimentos individuais e coletivos, de motivar e gerir bem as emoções, além de ser a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos. Sob essa perspectiva, é possível salientar a eventualidade de inúmeros conflitos nos relacionamentos, suscitados por paulatino estado de estresse, ansiedade, impaciência e agressividade.

Em segunda análise, ressalta a instabilidade psicológica das pessoas. Haja vista que agentes externos impactam o equilíbrio psíquico humano, há uma busca incansável por uma colocação no mercado de trabalho e promoção pessoal. Segundo Freud, o sujeito foge da outra categoria, ou seja, da realidade quando o preço a se pagar para estar nela é alto demais. Atrelado à isso, interrelaciona-se o conceito de Modernidade Líquida - proposto por Bauman -, na qual tem-se relações mais fluidas, acarretando um vazio íntimo e emotivo. Desta forma, a carência de autognose torna mais frequente a assiduidade de doenças psicopatológicas, tais como a depressão, cardiopatias e transtornos de ansiedade.

Por todos argumentos supracitados, urge que para alterar a situação deve-se, pois, tomar medidas significativas. Portanto, faz-se necessário que o Executivo Federal, por meio do Ministério da Saúde, invista na criação de núcleos de atenção psicológica primária, bem como a qualificação de profissionais da área. Outrossim, cabe às mídias públicas promoverem a realização de palestras de educação psicossocial, por meio de debates elucidativos e informativos, com a finalidade de desconstruir a ideia de superficialidade das relações, além de atenuar o aparecimento de problemas psíquicos. Levando-se em consideração os aspectos expostos, convém enaltecer que a situação será deliberada rapidamente.