Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 05/06/2020
“Como é que irão viver os que virão depois, já que a única coisa que importa é o triunfo do agora? ”. Esse questionamento do escritor José Saramago, leva a conclusão de que há, de fato, como afirma o pensador português, uma «cegueira da razão». Dito de outra forma, não perceber a realidade, significa não enxergar o outro. Nessa lógica, ao se discutir sobre os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital, cabe não apenas refletir sobre a necessidade de se auto conhecer melhor, mas também questionar por que às instituições e o governo conhecem mais você que você próprio.
Em face desse argumento inicial, é preciso refletir sobre a imprescindibilidade de se auto conhecer como já preconizado por Sócrates, ´´conhece-te a ti mesmo``, em razão da necessidade de sabermos quem somos. Além disso, observa-se com nitidez a facilidade de se influenciada pela era digital, devido a rapidez da massificação do post. Nesse contexto, pode-se pensar que, como advoga Karl Marx, deve haver mudanças no organismo social, uma vez que o cidadão deve saber quem ele é. Por conseguinte, fica claro que o Estado, a família e a sociedade não trabalham em prol dessa questão, visto muitos seguem o padrão do cidadão digital perdendo sua identidade e não tendo um autoconhecimento.
Ainda nessa perspectiva, outro ponto relevante é o fato que as instituições e o governo conhecem muito mais você que você próprio, em virtude de Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet. Essa problemática é determinada não apenas pelo controle de dados, mas também por excesso de postagens e exibição do usuário. A partir dessa ideia, percebe-se a necessidade de se acreditar, como insistia Walter Benjamim, na emancipação da humanidade, porque é justamente a construção da autonomia que se pode pensar no autoconhecimento. Dessa forma, compreende-se a urgência em minimizar o controle das instituições sobre os dados pessoais.
Há, nessa discussão, um caminho que precisa ser reconstruído, como já preconizado pelo pensamento marxista. Nessa lógica, é essencial que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação – principal órgão intermediador de políticas educacionais– estabeleça como meta um maior incentivo no autoconhecimento, por meio de discussões engajadas com profissionais qualificados, a fim de discutir sobre a imprescindibilidade de se auto conhecer, para que o meio não interfira tanto no conhecimento de si. Ademais, o Governo Federal em parcerias com diversas empresas deve também, mediante a propostas que minimizam a manipulação de dados, diminuir o conhecimento sobre a população com intuito de arraigar uma absoluta prioridade de proteção integral do usuário. Com isso, pode-se acreditar na desconstrução da “cegueira da razão”, denunciada por Saramago, e fomentar o autoconhecimento da era digital.