Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 11/06/2020
A obra literária do autor Aldous Huxley, intitulada “Admirável mundo novo”, relata acontecimentos da vida de uma personagem presa em uma sociedade distópica, regida estritamente pelos interesses do governo para com a população. Dessa forma, é possível perceber a falta de autoconhecimento dos cidadãos sobre sua própria pessoa, uma vez que o regime imposto dita que cada vivente, mesmo de uma casta mais baixa, sirva somente para a reprodução da raça e invenção de novas tecnologias. Tal obra apresenta-se como um retrato social que assemelha-se com parte da população brasileira, haja vista a falta de consciência crítica e reflexiva de alguns consumidores da era digital e a consequente falta de percepção da manipulação exercida por estes meios.
Ademais, é importante destacar os filósofos Adorno e Horkheimer, que em seus estudos concluíram que os meios de comunicação moldam e direcionam as orientações de seus receptores. Sendo assim, na época presente, as plataformas digitais traçam um perfil de uso de seus clientes, e estes passam a receber informações relevantes de acordo com seus gostos. Como exemplo, pode-se ressaltar a plataforma de “streaming” de músicas “Spotify”, a qual oferece músicas ao consumidor com base nas coletâneas construídas por ele, influenciando-o a escutar somente canções do gênero que o agrada.
Além disso, a falta de uma consciência crítica e reflexiva sobre o meio digital pode ser responsável pelo comprometimento de informações importantes. A partir deste axioma, o comportamento do usuário nas mídias, pode levar ao compartilhamento de notícias ou dados falsos. Tal fato pode levar à manipulação da opinião alheia, as chamadas “fake news”. Estas, se compartilhadas, de acordo com o Congresso Nacional do Brasil, podem levar à condenação e prisão de quem as cria ou compartilha. Dessa forma, percebe-se que não existe um controle efetivo do histórico de quem tem acesso à internet no Brasil.
Em suma, urge que o Ministério da Educação, juntamente com ONGs e empresas e a sociedade em si, trabalhem o tema do autoconhecimento em seus espaços atuantes, com o objetivo de criar pessoas e cidadãos mais críticos, reflexivos e cuidadosos sobre o ambiente virtual. Portanto, tornar o cidadão consciente e responsável no uso das tecnologias é um fator imprescindível para conceber um meio digital mais seguro.