Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 07/06/2020
“Os homens que não pensam são como sonâmbulos”; como relata a teórica contemporânea, Hannah Arendt, seres racionais incapazes de julgar suas ações e de ter suas próprias opiniões são como sonâmbulos. Sob esse ponto de vista, a ausência de autoconhecimento torna-se uma abertura para adquirir uma vida sem pensamento e deixar-se influenciar pelo ambiente em que está inserido, além de criar a necessidade de aprovações externas para suprir momentaneamente a carência do indivíduo. Sendo assim, a falta de autoconhecimento acarreta na alta exposição dos usuários na internet.
Em primeira análise, no livro “Sociedade Espetáculo”, escrito pelo filósofo e sociólogo, Guy Debord, é explícita sua teoria sobre os indivíduos exaltarem suas vidas como se estivessem em uma performance, ao aparentarem estar no ideal de felicidade universal. Assim, mostra uma sociedade mediada por imagens de vidas cotidianas ilusórias em busca de aceitação e de fama. Fora da ficção, o pensamento de Debord comprova-se no contemporâneo, pois, com a exposição superficial nas redes sociais, os sujeitos esperam atenção e reconhecimento, por meio de curtidas e de comentários nas suas postagens.
Em segunda análise, o atual sistema capitalista, pelos meios de comunicação, desvia o foco dos indivíduos de si mesmos para banalidades que geram um sentimento de vazio nos sujeitos sociais. Por conseguinte, a população sonâmbula, isenta de autoconhecimento, é influenciada a acreditar que precisa da aceitação proporcionada nas redes sociais para sentir-se completa, ao suprir suas necessidades de atenção. Portanto, as plataformas digitais funcionam como uma fuga momentânea para a carência e como uma forma de manipulação, que visa o lucro por meio do vazio instalado no sujeito.
Em suma, os efeitos do autoconhecimento criam um ciclo doentio com um contínuo desejo de aprovação dos indivíduos. Então, para a sociedade acordar, livrando-se do estado de sonambulismo citado por Hannah Arendt, palestras promovidas pelo MEC, em parceira com instituições de ensino, que abordem o tema do autoconhecimento para adquirir autonomia e vontades próprias, são necessárias. Além do mais, com o mesmo objetivo, urge que o Ministério da Tecnologia proporcione cursos, por meio de verbas governamentais, sobre inteligência emocional. Somente assim, o cenário digital contemporâneo pode mudar, afastando-se da teoria no livro “Sociedade Espetáculo”.