Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 12/06/2020

Nos primeiros livros da série de livros “Os heróis do Olimpo” de Rick Riordan, Percy Jackson e Jason Grace têm suas memórias apagadas pela deusa Juno, Hera em seu espectro romano. Desta forma, os semi-deuses se tornam mais suscetíveis às ordens e desejos da divindade, devido ao fato de suas vidas, naquele momento, não passarem de um quebra-cabeça com várias peças perdidas e, por isso, não possuirem discernimento algum. Estas consequências da falta de autoconhecimento, infelizmente, também assombram os brasileiros e começaram a se tornar preocupantes a partir da era digital, na qual a manipulação das massas e a constante necessidade de autoafirmação roubaram os holofotes da vida cotidiana e transformaram-se em verdadeiros problemas.

Em primeira análise, a manipulação política e/ou comercial da população a partir dos recursos digitais é uma consequência direta da ausência de autognose. Como exemplo, é possível citar as publicidades que vinculam a compra das mercadorias mencionadas à felicidade vitalícia e até as propagandas políticas em época de eleições, que têm como principal objetivo, enganar e convencer o eleitorado de que sua vida e dignidade dependem de seu voto naquele específico candidato. Dessa maneira, os cidadãos são facilmente manipulados pelos grandes veículos e tudo isso se dá em razão da falta de conhecimento sobre si próprio e da consequente falta de senso crítico, experiência vivida pelos heróis.

Além disso, a constante necessidade de autoafirmação nas mídias sociais também se faz um tópico importante para a discussão, uma vez que a busca por likes e seguidores chega a ultrapassar um nível considerado saudável, isto é, alguns usuários compram engajamento para seus perfis apenas para alimentarem seus egos e se dizerem populares. Tal comportamento é um claro reflexo da carência de heautognose, uma vez que o indivíduo claramente precisa da aprovação de terceiros para sentir-se confiante e orgulhoso de quem é. Este comportamento desesperado e o desejo de provar-se digno e admirável é, agora, gozado pelos jovens, entretanto, há alguns anos, era um comportamento padrão para gerações mais novas.

Em suma, ao contrário do esperado, as gerações mais velhas são afetadas pelo problema assim como as mais recentes, mesmo que de formas diferentes. Assim, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve incluir aulas de inteligência emocional nas cargas horárias escolares ao menos uma vez a cada quinze dias. Isso posto, as crianças brasileiras terão maior consciência sobre si mesmas em comparação com seus pais e avós e este conhecimento pode ser passado para os mais velhos a partir de conversas entre membros da família.