Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 10/06/2020
Segundo Carl Sagan, a sociedade gerou a tecnologia, mas não a conhece de fato. Nesse contexto, observa-se que, hoje em dia, o mundo informacional conhece muito sobre o individuo do que ele sobre si mesmo, acarretando em graves efeitos sobre a autonomia do cidadão frente à era digital. Dessa maneira, é fundamental analisar as causas que fazem dessa problemática uma realidade.
A Belle Époque caracterizou-se por mudanças tecnológicas que alteraram o autoconhecimento individual. Nesse contexto, segundo Zygmunt Bauman, pensador da Modernidade Líquida, a sociedade muda de acordo com suas transformações. Em um cenário análogo ao de Bauman, as redes sociais mudaram os hábitos das pessoas, tornando-as mais expostas e menos autênticas, uma vez que estão sempre buscando pela aprovação no mundo digital, alterando seus aspectos comportamentais e físicos para serem aceitos. Consequentemente, a comunidade tende a adquirir um padrão que não é intrínseco a ela, fazendo-a perder sua própria identidade.
O “super-homem” idealizado por Nietzche, caracteriza o ser capaz de livrar-se das amarras sociais. Todavia, ao que tudo indica, poucos parecem entender, fazendo com que a industria tire vantagem sobre isso. Esse fato evidencia-se na relação entre um digital influencer, como a Bianca Andrade que é patrocinada por uma empresa para gerar a necessidade de consumo a seus seguidores que buscam se encaixar na personalidade criada pela influenciadora. Como consequência, evidencia-se um cidadão alienado ao consumismo que tornou-se indispensável na pós-modernidade, como afirma Bauman.
Em suma, o autoconhecimento na era digital é marcado por fragilidades. Para atenuar essa situação, necessita-se do posicionamento cívico por meio de campanhas na própria web sobre a importância de conhecer a sua própria personalidade, a fim de gerar maior autonomia do indivíduo. Somando-se a isso, é necessário que as redes sociais também se engajem por meio do desenvolvimento de mecanismo que regulem o conteúdo que os blogueiros oferecem aos seus seguidores. Talvez, dessa forma, seja possível conciliar o avanço técnico com uma sociedade mais autêntica e menos líquida.