Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 14/06/2020
A Terceira Revolução Industrial, que ocorreu em meados do século XX, proporcionou a transição da era industrial para era digital. Uma conjuntura que permitiu que os meios tecnológicos adentrassem de forma maciça na vida do ser humano. No entanto, esse quadro representa perigos a uma sociedade que não possui o autoconhecimento, pois desencadeia a manipulação social, mas também, revela uma institituição escolar que se tornou obsoleta para os problemas atuais.
Em primeiro lugar, um dos principais prejuízos de um corpo social que ignora o pensamento do filósofo grego Sócrates, sobre a necessidade do ser humano se autoconhecer, é se sujeitar a manipulação presente na atual era. Haja vista que o mundo digital proporcionou uma “liberdade ilusória”, conforme argumentou o sociólogo Zygmunt Bauman, posto que esse ambiente apesar de produzir a sensação de independência diante das escolhas, percebe-se que por detrás disso, existem empresas, por exemplo, que manipulam e, consequentemente, alienam quais serão essas escolhas. Assim, dificilmente um indivíduo que se desconhece conseguirá se desprender desse quadro.
Além disso, segundo o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, compreende-se que a escola deveria ser esse local propício de desenvolvimento do autoconhecimento, a fim de preparar o estudante para os perigos oriundos da Terceira Revolução Industrial. No entanto, ao analisar uma instituição ainda presa aos moldes do século XIX, nota-se a sua incapacidade para agir em face das demandas atuais. Posto que ao observar o quadro negro na frente da sala de aula, as cadeiras enfileiradas e o professor lecionando em pé, percebem-se exemplos de uma sociedade da Primeira Revolução Industrial, que utilizou esse cenário para familiarizar os alunos com o ambiente fabril. Consoante a isso, a realidade obsoleta das escolas não dialoga com a necessidade do cidadão se autoconhecer no período da era digital.
Portanto, é imprescindível que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação realizar um programa nacional sobre a necessidade da sociedade se autoconhecer, com o propósito de não se subjugar cegamente ao ambiente digital. Esse projeto ocorrerá mediante aulas de sociologia e história que analisarão obras literárias que já apontavam para o perigo do mundo virtual sobre indivíduos que desconhecem a si próprio. Dessa forma, uma instituição escolar apta para discorrer sobre os problemas atuais, além evitar a manipulação do corpo social, permitir-se-á, também, que o homem desfrute de forma saudável a atual era.