Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 22/06/2020
No longa-metragem estadunidense “Matrix” o real é colocado em contradição, visto que, praticamente, toda a população do planeta está inserida numa realidade alternativa. Nesse sentido, os cidadãos são manipulados diariamente pelas inteligências artificiais, porém seguem suas vidas “normalmente” e sem maiores complicações. Fora da ficção, a atualidade é semelhante, haja vista os efeitos da falta de autoconhecimento na era digital, os quais se tornaram um desafio a ser superado por todos. Pode-se dizer, então, que não só as diretrizes do século XXI, mas também a insegurança pessoal enraizada na população são as responsáveis pelo cenário descrito.
A priori, é nítido que o meio de produção é um grande influenciador da realidade contemporânea, o capitalismo, modelo preponderante, tem como principal característica o acúmulo de capital, portanto, trabalhadores de baixa classe econômica almejam diariamente alcançar grande prestígio social, assim como os poucos membros da classe social alta. Tal ação, se não concluída, pode desencadear uma intensa frustração para com os menos favorecidos e, consequentemente, um caos generalizado. Sob outro prisma, a Constituição Federativa de 1988 assegura a todo brasileiro a inviolabilidade do direito à vida, à educação e, principalmente, à saúde.
Ademais, é indubitável que há uma padronização preestabelecida nos dias atuais, dado que os moradores são persuadidos cotidianamente por políticas monopolistas. Desse modo, há uma insegurança e um medo notório quanto a uma retaliação sob os cidadãos que buscam quebrar esse paradigma. De acordo com a obra “Alegoria da caverna”, produzida pelo filósofo Platão, todos os indivíduos que estão sujeitos a uma influência externa tendem a não querer ver a luz. Posto isso, o pensamento do ateniense se enquadra perfeitamente no contexto retratado.
Dado o exposto, infere-se que reformulações conjunturais são necessárias acerca dos regulamentos sociais. Sendo assim, cabe ao Poder Legislativo, instância máxima na elaboração de leis isonômicas, instaurar um projeto coletivo com o intuito de atender cidadãos que estão passando por algum quadro de ansiedade ou estresse, decorrentes do cotidiano. Esse deve ser feito por meio da inserção de profissionais da saúde em áreas urbanas e periféricas. Além disso, é dever da Família, órgão social de grande poder coercivo, estimular reflexões de cunho moral sob seus integrantes, por intermédio de diálogos e debates, assim, o Brasil irá de encontro a narrativa imposta pelo longa-metragem “Matrix”.