Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 25/06/2020

Dentre os inúmeros direitos garantidos na Declaração dos Direitos Humanos promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), destaca-se a liberdade como imprescindível para que saúde, educação, e outras pautas de extrema importância ao bem-estar da humanidade sejam alcançadas. No entanto, o Brasil mostra-se muitas vezes como incapaz de atingir tal meta, uma vez que a falta do autoconhecimento de seus indivíduos nessa era digital em que vivem abre espaço a alienação promovida por grandes empresas, de modo que possam ampliar de forma mais eficaz seu mercado. Nesse sentido, torna-se necessária uma análise pragmática a cerca do sistema de ensino vigente aos alunos tupiniquins, bem como a cerca da omissão governamental frente a essa problemática, pelo fato de serem estes, agentes fundamentais a perpetuação dessa mazela.

Em primeira análise, destaca-se a baixa atuação do sistema educacional no país frente ao problema. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Nesse contexto, um sistema de ensino arcaico, como é o brasileiro, o qual promove em demasia o ensino de conhecimentos distantes da realidade da maioria de seus alunos e que ainda reduz em sua grade de ensino aulas de filosofia e sociologia, faz com que estes jovens formem-se adultos desprovidos de um pensamento crítico necessário para que possam se autoconhecer e serem capazes de evitar a alienação midiática, por conseguinte.

Faz-se mister, ainda, salientar a falta de atuação de setores governamentais frente ao uso indiscriminado de informações dos internautas por grandes empresas como impulsionador do problema. Em 2018, foi publicado em manchetes de inúmeros jornais, a venda de dados do Facebook para outras grandes empresas, de tal maneira que estas possam criar métodos mais assertivos para venda de seus produtos. Com isso, torna-se nítido como a liberdade hodierna fica comprometida, uma vez que os grandes conglomerados empresariais detém a informação necessária para que seu ganho de capital seja potencializado e os indivíduos alienados sustentem esse sistema.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser exercidas a fim de que essa problemática seja solucionada. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação ensinar a seus alunos, por meio de aulas elucidativas e materiais didáticos, os cuidados necessários que se deve ter com a informação disponibilizada na internet, bem como aumentar a grade curricular de aulas de filosofia e sociologia, a fim de que instigue nos jovens a mentalidade racional e autocrítica. Outrossim, cabe ao Poder Legislativo elaborar leis que protejam as informações cibernéticas da população e multe pesadamente a empresa ou país que tentar violar tais regras.