Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 26/06/2020

No inicio do Período Moderno, os pensadores - em sua maioria - tentaram buscar provas para existência humana e das coisas materiais. Descartes, um desses pensadores estabeleceu a famosa frase: “penso, logo existo”, fonte de discussões até os dias atuais. No entanto, mesmo passado algum tempo desde essa proposição, a falta de autoconhecimento ainda é um entrave nessa discussão, já que na maioria das vezes as pessoas agem unicamente como “bytes” em uma rede virtual, sendo bombardeadas por informações e aceitando sem questionamento a maioria delas. Por isso, a atualidade é um espaço temporal cercada, infelizmente, pela massificação da população e desenvolvimento de vários distúrbios mentais. Dessa forma, é imprescindível que se discutam formas para acabar com essa problemática.

Em primeiro plano, o não questionamento sobre si mesmo é uma das causas para a extrema exploração de dados por parte empresarial presente atualmente. Tal fato, condiz com os pensamentos do sociólogo alemão Theodor Adorno, já que para ele, a grande massificação contemporânea garante a não existência dos “eus”, corroborando a falta de autoconhecimento, pois a cultura de massa tem por objetivo a quebra das singularidades subjetivas. Ademais, notam-se cada vez mais inseguranças na população mundial, fruto, em maioria, da comparação exacerbada presente no mundo hodierno.

Além disso, problemas mentais são cada vez mais comuns na sociedade moderna, isso pode ter como causas, a competitividade atual e a falta de conhecimento sobre  dotes subjetivos de cada pessoa. Sobre isso, Alain Badiou, um importante filósofo marroquino,defende que a existência de “sujeitos” na atualidade é tão rara quanto a de verdades. Dessa forma, o pensador africano destaca o nível de comparatividade a que chegamos, tornando a valorização de características intrínsecas à individualidade quase inexistentes. Com isso, é possível compreender o aumento de problemas neurais, tais como Depressão e Ansiedade, já que sem a presença de questionamentos unipessoais em conjunto com o acirramento intrapessoal, a promoção de uma vida harmoniosa é dificultada.

Portanto, é imperativo que o Estado, por meio das escolas e órgãos relacionados à educação promovam discussões sobre o autoconhecimento entre jovens - através de rodas de conversa e palestras, por exemplo -, assim, a exploração cibernética empresarial e o aumento dos problemas psíquicos tenderão a atenuar-se, corroborando a ideia de Descartes, e, promovendo assim, uma existência plena.