Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 17/07/2020

Desde os primórdios da tecnologia, é fato que as sociedades passaram a se desenvolver muito mais rápido e de uma forma mais globalizada, tendo acesso a milhares de informações com apenas um toque. Em contrapartida, a quantidade de recursos presentes na internet e a influência que ela possui sob as pessoas pode ocasionar grandes problemas se as mesmas não tiveram o autoconhecimento necessário para não se deixarem levar com tudo que aparece no meio digital.

No livro “Admirável Mundo Novo”, Aldous Huxley, autor do texto, discorre sobre uma sociedade distópica, na qual o povo passa por uma espécie de lavagem cerebral, afim de viver em harmonia,  eliminando qualquer senso de individualidade, pensamentos, críticas e gostos próprios. Essa ideia se aplica bastante no mundo contemporâneo, de tal forma que, com o objetivo de lucrar e alavancar seu negócio, as grandes empresas se apropriam de propagandas nas redes sociais, por meio dos ‘influenciadores’, termo que vem ganhando grande relevância na era digital atual, justamente com a intenção de influenciar os usuários a consumirem um produto que, na maioria das vezes, eles tampouco precisam, mas acabam adquirindo ao se depararem com centenas de pessoas divulgando-o.

Além disso, é necessário atentar-se que as redes sociais influenciam diretamente na autoestima e na autoaceitação, especialmente entre adolescentes e jovens. Estudo realizado pela Secretaria da Saúde, com jovens entre 10 a 20 anos, aponta que 67% estão insatisfeitos com o próprio corpo. Em suma, esse dado é resultado da falta de autoconhecimento somado com uma sociedade que busca interminavelmente pelo corpo perfeito para entrar dentro de um padrão estético. Certamente, as redes sociais corroboram para que, cada vez mais, os mesmos sintam-se no dever de encaixar-se dentro desses padrões, deixando de lado um pouco de sua identidade, tanto física, quanto comportamental.

Diante disso, fica explícito a necessidade do autoconhecimento por parte da população. É dever do Ministério da Educação implantar aulas e palestras na grade horária estudantil, afim de ensinar aos alunos sobre inteligência emocional e educação sócio-informacional, conscientizando os mesmos sobre a importância do autoconhecimento para que eles não sejam manipulados tão facilmente. Ademais, o Ministério da Tecnologia, com financiamento governamental, deve propor outras palestras e cursos gratuitos de modo a atingir mais pessoas. Também é interessante que assuntos como autoaceitação e autoestima sejam debatidos de forma natural dentro das próprias famílias, para que as crianças e adolescentes sejam cada vez menos influenciados a seguirem um comportamento padrão e consigam se aceitar com suas individualidades. Quem sabe assim, o futuro do Brasil não seja igual a distopia escrita por Aldous Huxley.