Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 22/07/2020
A terceira revolução industrial está no cotidiano da maioria das pessoas na sociedade atual essencialmente pela internet, acessada por muitos dispositivos, por exemplo, computadores e celulares. Diante disso, surgiu novos problemas relacionados a forma de interação do usuário com essas tecnologias. Nessa esteira, a falta do autoconhecimento nessa era digital é um preocupante, devido, não só ao uso dos dados, mas também às falsas exposições nas redes.
A princípio, empresas podem usar as informações dos usuários para manipulá-los. O Google oferece vários serviços gratuitos e em troca coleta dados dos consumidores e usa-os para, por exemplo, anunciar produtos conforme os interesses deste. Porém, isso pode ser usado para outros fins antiéticos, pois organizações de grande porte, como o Facebook, já foram condenadas pelos abusos de privacidade. Assim, se o utilizador do serviço não, parafraseando Socrátes, conhecer a ti mesmo, ficará vulnerável às formas sutis de influência que ocorrem com embasamento nas suas características. Então, este pode ser induzido quanto a votos políticos, opiniões entre outros.
Paralelo a isso, pessoas tentam trazer o mundo fantasioso das redes sociais para a realidade. No episódio “nosedive” da série “Black Mirror”, o mundo funciona a base de aprovações por atos socialmente aceitos e os personagens avaliam uns aos outros com notas. Isso aplicado na realidade é o Instagram, onde a maioria coloca fotos perfeitas e outros aprovam com curtidas, porém, isso é ilusório. Dessa forma, indivíduos que adotam essa perfeição como modo de vida não sabem quem realmente são, ou seja, o perfeito das redes, que todos aprovam, ou o real com defeitos e fracassos. Além disso, segundo Pedro Calabrez, doutor em psicologia, isso causa transtornos mentais, como a depressão, pois este nunca alcançará essa utopia e é fadado, assim, à infelicidade.
Dessa forma, pode-se constatar que o autoconhecimento é importante. Nessa conjuntura, é necessário que estados e municípios aumentem a fiscalização das empresas que operam online, por meio da contratação mais mão de obra especializada em tecnologia da informação. Com esses profissionais em maior número é possível analisar como os dados do público estão sendo utilizados de forma eficiente, a fim de impedir uso indevido de informações de usuários.