Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 04/08/2020

A Industria Cultural Animal

Sancionada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura todos indivíduos o direito a privacidade. Entretanto, a realidade não não é compatível com a decretada, já que a falta do autoconhecimento na era digital vem alienando cada vez mais a população. Tal perspectiva está relacionada à busca pela aprovação social, e à consequente idealização da vida perfeita.

Em primeira análise, é importante pontuar que, principalmente no “século virtual”, a sociedade vem se tornando cada vez mais carentes da aprovação dos outros membros da população. Essa característica é a consequência da falta de evolução como ser animal, que é muito explorado pelas redes sociais e pela mídia como um todo. Dessa forma, assim como na pré história os homo sapiens necessitavam mostrar a suas “habilidades” e “masculinidades” para acasalar e obter respeito em seu grupo social, o ser humano de hoje necessita fazer as mesmas coisas, de um modo diferente para não se sentir excluído. Consequentemente, por não ter seu próprio autoconhecimento, muitos se expõem de maneira indiscriminada na internet, abrindo espaço para inúmeros outros problemas sociais, de exemplo a pedofilia digital, e o cyberbullying.

Em segundo ponto, a ilusão da “vida perfeita” que as redes sociais vem provocando, principalmente nos mais jovens, inúmeros problemas pessoais, inclusive a depressão. Tal fato está intimamente ligado à “doença do século”, já que a sociedade por impor uma idealização de ser possível fazer tudo na vida e posteriormente ser feliz, faz muitos focarem muito no caminho, postergando o fim. Assim, de acordo com os pensadores Horkheimer e Adorno, a Indústria Cultural é formadora da consciência coletiva massificada, monopolizando, submetendo e alienando o homem. A repercussão desses fatos acarretam em uma busca incessante pela felicidade com base no que a mídia dita como correto e errado.

Dessa forma, faz-se necessário que o Ministério da Educação, juntamente com as escolas de todo o Brasil, realizem palestras anualmente, com psicólogos e especialistas, informando sobre o perigo da exposição excessiva no meio virtual, e as consequências que isso implica na sua própria vida e na vida das pessoas ao seu redor. Além disso, faz-se necessário que a mídia mostre para a sociedade, por meio de filmes e novelas, que a vida não é só felicidade, e que as pessoas devem estar prontas para enfrentar problemas. Assim, respeitaremos o que a Declaração dos Direitos Humanos, e fazemos a sociedade brasileira sair da “industria cultural animal”.