Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 06/08/2020
“Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”. Com essa frase de J. Krishnamurti, pode-se inferir que, quando um indivíduo está encaixado numa geração que tem determinados comportamentos anormais, não significa que o mesmo é são. No contexto da era digital, observamos todos os dias pessoas que por dentro estão vazias, sem conteúdo para oferecer, pois apenas seguem moldes de “vidas perfeitas” propostos pelas redes sociais, deixando de se expressar da maneira como são, passando a ser o que os outros querem que elas sejam, por influência da mídia e de carência pessoal. Nesse sentido, é notório a necessidade de combater essa realidade.
Em primeiro lugar, a carência é algo que afeta indivíduos que não buscam se conhecer. Se conhecer é entender suas fraquezas, valores, defeitos e qualidades, e a partir daí viver sem correntes impostas pela sociedade como “padrões”. Quando uma pessoa se conhece, ela não vê importância no que as pessoas acham que ela são, atrás das telas. Ela apenas vive conforme sua essência. Contudo, as pessoas que não sabem quem são, procuram suas identidades na internet, e lá elas não encontram seus valores, mas sim, valores que outras pessoas querem que elas tenham. Nesse contexto, elas acabam vivendo de forma para agradar o gosto dos outros. Sem o autoconhecimento, não se tem objetivo de vida, pois, sem saber o que somos, não é possível saber o que queremos, dificultando a possibilidade de saber aonde queremos chegar. Sendo assim, esse quadro precisa ser revertido.
Em segundo lugar, segundo os ideais de John Piper, “a marca da cultura do consumismo é a redução do ‘ser’ para ’ter’”. Em outras palavras, por influência de ideais consumistas, as pessoas deixam de ser valorizadas por aquilo que são, e passam a ser valorizados pelo seu poder aquisitivo. Em relação às redes sociais, os usuários alienados, seguindo padrões ditos como “certos”, e influenciados pelo público, passam a acreditar que a exposição de bens materiais é sinônimo de aceitação dos outros. No entanto, esse é apenas outro tipo de comportamento realizados por pessoas que não se conhecem de verdade, pois, ser aceito em razão de poder aquisitivo, é ser aceito por uma sociedade que também carece em autoconhecimento, pois a mesma não valoriza a essência real do ser humano. Nesse sentido, torna-se necessário a aplicação de medidas interventivas.
Em síntese, urge que o autoconhecimento seja assegurado no Brasil. Cabe às plataformas de mídia essa função, por meio de propagandas apoiando o autoconhecimento e aceitação, como forma de acabar com a valorização de imagens de vidas falsas pregadas na internet, com o auxílio das escolas na criação de palestras para orientação dos alunos no processo de autoconhecimento e no aconselhamento profissional. Tais medidas, juntas, podem combater a falta de autoconhecimento no país.