Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 06/08/2020
No livro de Sophie Kinsella, “Minha vida (não tão) perfeita”, é retratada a história de Cat, uma mulher que não é realizada profissionalmente e tem uma vida que odeia. Entretanto, para os internautas do Instagram, sua vida vida é perfeita; com um emprego que ama e uma rotina fascinante. Ao longo da trama, pode-se perceber como Cat se afunda em frustrações, vivendo uma vida insatisfatória, e sendo influenciada a pensar que apenas ela tem problemas. Nesse sentido, entende-se que, apenas a partir do autoconhecimento, atingiremos uma sociedade feliz e emocionalmente saudável.
Em primeiro lugar, é perceptível a manipulação feita pelas empresas ao tentar vender seu produtos. Com o advento das redes sociais, o contato com o consumidor é mais próximo, e os compradores dão sua opinião acerca dos produtos em minutos. Por outro lado, o vendedor conhece melhor seu público e, principalmente, suas fraquezas. Ou seja, as empresas traçam o perfil do consumidor, e utilizam as inseguranças e pontos fracos desse, a fim de vender e lucrar.
Em segundo lugar, a busca humana pela utopia da perfeição, nos leva a dar voz às pessoas que pregam uma vida sem problemas e desafios nas redes sociais. É como um ciclo vicioso: a mulher insatisfeita com o seu corpo, segue a influenciadora com o “corpo perfeito”, que segue o padrão de beleza; essa mesma mulher, em um dia de extrema insatisfação pessoal, vai entrar no Instagram e ver a influenciadora padrão, e isso servirá de gatilho para as suas emoções. Nesse sentido, é notável como a falta de autoconhecimento nos leva à uma vida triste e frustrante.
Urge que o Ministério da Cultura crie campanhas informativas sobre o poder de manipulação das mídias, e que incentivem a população a buscar pelo autoconhecimento. Além disso, devem ser instaurados mecanismos de fiscalização que limitem o que a empresa sabe sobre o consumidor. Tais medidas podem atenuar o problema da falta de autoconhecimento na era digital.