Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 06/08/2020
A partir da Revolução Industrial e com a concretização do modo capitalista de produção, o incentivo ao consumo tornou-se frequente e por conseguinte, as formas de divulgar produtos foram desenvolvidas e aprimoradas para o convencimento do consumidor. Nesse contexto, destaca-se a importância do autoconhecimento dos indivíduos expostos a propagandas diariamente. No entanto, dois são os empecilhos para a elaboração dessa habilidade: pouco estímulo por parte das mídias sociais e a influência constante exercida pelos meios de comunicação sobre ações individuais.
Em primeiro lugar, constata-se que o consumo exacerbado é uma consequência do incentivo contínuo à aquisição de produtos. Para o sociólogo Karl Marx, o conceito de fetichismo da mercadoria é a forma como esse hábito de consumo afeta os indivíduos da sociedade, ou seja, os consumidores passam a atribuir valores humanos aos produtos consumidos. Essa prática, além de causar prejuízos ao meio ambiente pelo aumento da produção de lixo, escancara a dominação das mídias sociais sobre a sociedade consumidora, que sem o desenvolvimento do autoconhecimento se sujeita à essa situação, de acordo com Marx. Nessa perspectiva, essa situação precisa ser revertida.
Outrossim, é possível constatar que as relações sociais são prejudicadas pelo controle que as mídias sociais exercem sobre os indivíduos. Dessa forma, a frivolidade dessas relações, característica da sociedade capitalista, torna vínculos afetivos superficiais em detrimento do estabelecimento de relacionamentos interpessoais duradouros e verdadeiros. Essa é uma das consequências da influência exercida pelas propagandas, com as quais os sujeitos têm contato diariamente e são influenciados, inconscientemente, a consolidar essa forma de conexão com as outras pessoas. Por esse motivo, observa-se a ausência do conhecimento sobre si mesmo ao não identificar a atuação dos meios de comunicação sobre a vida cotidiana. Nesse sentido, esse quadro precisa ser alterado.
Portanto, urge que o estímulo ao autoconhecimento seja garantido na prática efetiva. Logo, cabe à mídia a função de divulgar atitudes que contribuam para o estabelecimento dessa habilidade para os indivíduos da sociedade, por intermédio da criação de programas destinados essencialmente à essa realização; com o auxílio da sociedade para o desenvolvimento de projetos sociais destinados à reflexão da realidade atual, com enfoque para a área do autoconhecimento e o reconhecimento da influência midiática. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem amenizar os impactos causados pela falta do autoconhecimento no Brasil.