Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 27/08/2020
De acordo com Sócrates, filósofo grego, é necessário que o ser conheça a si em relação à sociedade em que vive e ao seu papel de cidadão nessa. Em concordância, é imprescindível o autoconhecimento dos indivíduos quando inseridos em cenários hodiernos, esses representados por meio não apenas do convívio físico, mas também do digital. Contudo, a realidade requerida pelo pensador não é observada nos contextos contemporâneos, umas vez em que as redes sociais e suas propagandas conferem problemáticas ao seu público.
Similarmente ao convivo cidadão que Sócrates aborda, contemporaneamente as interações digitais são a vivencia social de grande parte da população brasileira, ocorridas por meio das redes sociais como, Facebook e Instagram. Consoante a isso, plataformas que utilizam de imagens e textos para comunicação, como as já citadas, cooperam para a superficialidade dos conteúdos, isto é, o usuário deposita em seu espaço formas que considera aceitáveis - estética e intelectualmente- passando a outrem o ideal de perfeição de seus corpos e vidas. Por consequencial, o autoconhecimento é menos aflorado, uma vez que observa-se a tentativa de encaixe nos padrões apresentados pela maioria dos utilizadores, fatores que causam, por vezes, distúrbios de imagem e depressão.
Outrossim, ainda em referencia a esses sites, as propagandas de produtos são diversas e insistentes, realidade alimentada pelo sistema econômico capitalista vigente no mundo ocidental. De acordo com o descrito, o ideal de “ter para ser " é instaurado como forma de satisfazer os padrões criados nas mídias sociais para convivência coletiva. Por conseguinte, a sociedade de consumo é sustentada e aumenta progressivamente, circunstância que coopera para a perda de identidade dos consumidores ao serem “bombardeados” por grande numero de publicidade, seja por anúncios, seja por campanhas feitas por influenciadores digitais -pessoas que detém grande número de seguidores e, em geral, tem o poder de influencia-los.
Em suma, o meio digital favorece de várias maneiras para a perda de autognose de seu público, a importância desse conceito recai sobre problemas psicológicos e consumistas. É necessário, portanto, a intervenção pública, em que cabe ao Ministério da Educação, junto as escolas e faculdades direcionarem seus educadores para a abordagem de assuntos do espaço cybernético, por intermédio de palestras, em conjunto com profissionais da saúde (psicólogos e psiquiatras) para o entendimento do que é entregue aos usuários por essas plataformas e como isso os atingem. Logo, os grupos alcançados contribuirão para a propagação do aprendizado entre seus convívios, desse modo o autoconhecimento será explorado e , assim, serão erradicados os problemas causados por sua falta.