Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 13/08/2020
“Pense, fale, compre, use, seja”. Esses são alguns versos da música “Admirável Chip Novo”, da cantora Pitty, em que a falta de autorreconhecimento é criticada, por meio de metáforas que sugerem uma padronização. Tal realidade possui efeitos tóxicos à sociedade, como a suscetibilidade à manipulação somada à intensa carência por aprovação, panorama esse que carece de soluções.
A princípio, vale enfatizar o controle que o mundo digital possui sobre as pessoas. Devido ao surgimento da indústria cultural, fenômeno estudado por Adorno e Horkheimer, toda forma de arte fora massificada e transformada em mera mercadoria. Logo, na questão da ausência de autognose, os gostos próprios e a originalidade são esquecidos, uma vez que o marketing feito no meio virtual promove a padronização das vontades e personalidades. Em suma, percebe-se que o consumismo e a nivelação artística, alimentados pelos anúncios online, manipulam a sociedade, de modo a abandonar a diversidade.
Em outro aspecto, é importante citar a carência provida das redes sociais. Nesse sentido, tem-se como base a série “Black Mirror”, em que um de seus episódios retrata um mundo alternativo, onde os cidadãos são avaliados conforme seus perfis virtuais. Em síntese, o seriado critica a busca obsessiva por aceitação na Internet, pois expõe a angústia da falta de personalidade resultante desse processo. Ante o exposto, conclui-se que o desconhecimento próprio acarreta a necessidade compulsiva de aprovação, cenário que gera infelicidade por sua consequente aceitação de estereótipos.
Portanto, nota-se que é crucial resolver os efeitos da escassez de autognosia. Então, cabe às escolas estimular a manifestação pessoal dos indivíduos, mediante a realização de eventos voltados a isso, como um show de talentos ou uma feira de ciências, a fim de auxiliar os alunos à anuência própria e à fuga de padrões, de forma a fomentar a diversidade. Assim, a uniformização citada pela Pitty será combatida.