Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 22/08/2020
O EU não está à venda
O autoconhecimento pode ser um aliado. Conhecer a si mesmo não é um conhecimento simples, é necessário autoestima. Mas, quando o autoconhecimento é ocultado por exigências externas? Pois a dificuldade está em se afirmar como tal diante da expectativa alheia. Inclusive, há uma armadilha escondida nessas exigências, sobretudo, estão presentes nas mídias sociais, (Facebook, Instagram por exemplo) as quais consideram os seus usuários como produtos a serem vendidos.
Então, será que o autoconhecimento pode ser uma espécie de manobra para burlar a venda de si mesmo? De acordo com Judith Butler (2015), relatar a si mesmo é constatar a incapacidade de compreender o “eu”. Porque para a autora, a narrativa que se constrói para falar de si ao um destinatário é sempre complexa, uma vez que, o autoconhecimento é modulado o tempo todo por outras pessoas.
De forma semelhante, mas mais relacionada a exposição do “eu” nas redes sociais, Paula Sibilia (2008) aborda as implicações na construção autobiográfica na era digital. Segundo a autora, o indivíduo se entrega aos jogos do mercado, ou melhor, se expressa de acordo com as determinações esperadas e impostas por essas empresas que controlam grande parte das redes sociais, já mencionadas anteriormente.
Em vista disso, o autoconhecimento diz respeito ao autocontrole. Isto significa que conhecer a si mesmo é compreender a necessidade da autopreservação, com o objetivo de proteger a si próprio das armadilhas da internet. Para isso, é preciso estar ciente do empréstimo dados pessoais fornecidos a sites, redes sociais, formulários, e-mails, etc. Desse modo, reduziria em grande parte o monitoramento dos perfis, e, consequentemente, evitaria a dominação dessas empresas cibernéticas acerca das preferências, das amizades, do posicionamento político, por exemplo.
Portanto, conhecer a si mesmo é salvaguardar informações consideradas muito pessoais e comprometedoras. Logo, é de extrema importância conhecer sobre a manipulação que há por trás de um simples clique em alguma página. E para isso, dependerá do próprio conhecimento de cada usuário sobre o que deve ou não interagir e fornecer na internet. Pois alguns casos já tornaram públicos, alertando aos usuários sobre o perigo dessa exposição excessiva, porém, o alarde não parece ter sido o suficiente para advertir boa parte dos internautas.