Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 20/08/2020
A internet surgiu na Guerra Fria, na qual potências mundiais disputavam poderes e a hegemonia, assim a web recebeu a função de promover a comunicação. No mundo atual, essa incumbência é acrescida ao entretenimento das redes sociais. Nesse viés, tal plataforma é utilizada de modo errôneo para buscar autoconhecimento, por meio de pesquisas, enquetes e vídeos. Dessa maneira, grande parte da população respalda-se no julgamento alheio para formar seu próprio senso crítico, o que gera nos indivíduos, enfermidades psicossomáticas que não auxiliam em suas vidas pessoais.
A priori, o filósofo suíço Jean Jacques Rousseau, elaborou sua teoria acerca do “contrato social”, em que os indivíduos tornam-se escravos de suas necessidades e daquilo que os rodeiam. A partir desse raciocínio, é possível correlacionar a busca por conhecimento pessoal, uma vez que baseiam-se na opinião alheia, para reproduzir suas emoções relacionadas ao próprio corpo e comportamento. Nesse sentido, o meio digital realiza a função de canal interativo, na qual utilizam-no em massa para tal ato, em que, muitas vezes, procuram uma reação positiva para amenizar o sentimento de insegurança. Contudo, a aprovação popular nem sempre ocorre, dando lugar a críticas não construtivas que afetam de modo negativo.
Outrossim, Ângela Mathylde, psicanalista e neurocientista, afirma que as pessoas estão sofrendo com a solidão que começa em si mesmo, “o que o outro acha ou vê em mim fica muito mais forte, o olhar alheiro me justifica”. Além disso, com a análise da especialista é possível perceber que a busca do autoconhecimento não é fácil e provoca sérios resultados psicológicos. Ademais, o despreparo mental para lidar com críticas gera enfermidades, como depressão, bulimia e anorexia, que provocam a deterioração dos indivíduos. Desse modo, as consequências físicas e psíquicas são facilmente alteradas pela web, que exerce controle sob suas emoções.
Em suma, o conhecimento de si é necessário em todos os âmbitos. Assim, torna-se dever das entidades de ensino, Ministério da Educação, juntamente aos responsáveis, instruírem seus filhos e dependes, por meio de palestras e seção de acompanhamento psicológico, com o objetivo de formar maior autoconhecimento e estabilidade emocional. Bem como, cabe ao Estado, prefeituras municipais, disponibilizarem campanhas seguras que busquem conhecer a si próprio, por meio de oficinas gratuitas, a fim de diminuir os índices de doenças psicossomáticas. Logo, gradativamente, ocorrerá uma maior aceitação e entendimento de si.