Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 15/11/2020

A máxima de Álvaro Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, enquadra-se no mundo virtual: “Nunca conheci quem tivesse levado porrada, todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo’’. Analogamente, as redes sociais são compostas pelos  jogos de aparência, isto é, são pautadas em falácias e padronização do modo de pensar. Assim sendo, ter um conhecimento sobre a própria personalidade é crucial para não ser afetado ou moldado pelos princípios da era digital.

Em primeira instância, a saúde mental é afetada pelo meio virtual, uma vez que a internet expõe apenas os momentos felizes. Prova disso é a máxima do psiquiatra Augusto Cury: “Temos que reconhecer humildemente: desenvolvimento tecnológico não trouxe o desenvolvimento psíquico esperado”. Por outras palavras, nas redes sociais, como Facebook; Instagram; Twitter dentre outras, há exposição somente dos momentos prazerosos, fazendo com que todos que estão naquele meio sejam vistos como ‘‘campeões’’ no que fazem. Logo, possuir um senso crítico para saber que as redes sociais são compostas por mentiras, corrobora para uma vida mais equilibrada.

Outrossim, com o grande avanço tecnológico a partir dos anos 70, a população hodierna passa mais tempo nos meios tecnológicos que com a própria família. Isso ajuda a padronizar o modo de pensar, já que apenas as postagens mais curtidas e comentadas são expostas para os internautas, deixando a diversidade de informação em segundo plano. Portanto, minimizar o tempo nas redes sociais é uma forma de formar uma personalidade única e aproveitar mais os momentos em família.

Destarte, para fugir da hegemonia de informações e ter uma saúde mental saudável, as famílias devem, desde cedo, estipular tempo a ser gasto na internet pelos filhos. Essa mitigação pode ser efetuada através de palestras nas escolas que mostrem como uma criança pode não formar uma personalidade própria devido ao uso intensivo das mídias sociais. Tal ação deve ser patrocinada pelos municípios, e os palestrantes devem ser psicólogos ou psiquiatras comprometidos com esse impasse contemporâneo. Então, depois do autoconhecimento desenvolvido completamente, os internautas não serão guiados pelos que é mais comentado e curtido e sim por suas próprias preferências, além de aproveitar os momentos únicos com os familiares.